quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Alérgeno do ano de 2011



No dia 3 de fevereiro realizou-se em New Orleans o 22º Encontro Anual da ACDS (American Contact Dermatitis Society) e, como é habitual, na ocasião do evento foi escolhido o Alérgeno do ano de 2011: dimetil fumarato (DMF) - uma substância volátil usada como fungicida em móveis, roupas e sapatos.

Alérgeno é toda substância de origem natural (ambiental, alimentar) capaz de provocar uma reação alérgica em um órgão sensível, como por exemplo, na pele.

A ACDS estuda as alergias de contato e com esta eleição anual quer chamar a atenção para as substâncias que causam alergia cutânea de contato, que são escolhidas pela freqüência do aparecimento ou mesmo para destacar as menos conhecidas e assim incentivar a prevenção.

DMF é usado como conservante para combater fungos em sofás, sapatos, roupas e causou inúmeros casos de alergia na Europa, a partir de 2007. No Brasil e nos EUA, não foram detectados casos em número significativo.

Os casos de dermatite grave foram relatados na Espanha, Suécia, Inglaterra e outros países da Europa. No início não foi prontamente diagnosticada. Surgia como uma erupção cutânea grave, predominante na parte posterior das pernas, nádegas e nas costas. Com o passar do tempo, descobriu-se um elo comum - cada paciente havia adquirido recentemente um móvel de origem chinesa. Por isso, foi chamada de "dermatite do sofá." Mas, não havia nenhum produto químico comum ou tecido nos sofás examinados que pudesse justificar a alergia. Pesquisadores da Universidade de Malmo, na Suécia finalmente, identificaram o culpado: Dimetil Fumarato (DMF), um fungicida usado em pequenos pacotes para combater mofo e umidade.

DMF é volátil e seus vapores causam a dermatite de contato pois permanecem nos sofás, roupas, calçados e produtos durante o transporte. Mesmo níveis muito baixos de exposição podem desencadear uma grave reação cutânea.

As alergias de contato resultam da participação de células e não tem a participação da IgE (imunoglobulina E) e por isso provocam eczema mas não são capazes de provocar reações anafiláticas.

A eleição do alérgeno do ano é importante para chamar a atenção do perigo destas substâncias e para estimular medidas preventivas. Um caso índice é o Timerosal, eleito alérgeno do ano em 2002 e que hoje quase não é encontrado, pois a substância foi removida de muitos produtos, como por exemplo, do Merthiolato®, que foi obrigado a modificar sua fórmula para minimizar o numero de casos ocorridos com esta substância.

Em 2010, o alérgeno do ano foi a Neomicina, antibiótico amplamente usado em cremes, pomadas e muitas vezes utilizado sem orientação ou prescrição médica. Os membros da ADC adiantam que para 2012, estão entre os mais votados: acrilatos e metacrilatos, polímeros usados em próteses, produtos odontológicos, entre outros.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Filtros solares



O que são filtros solares?

São substâncias que aplicadas sobre a pele protegem a mesma contra a ação dos raios ultra-violeta (UV) do sol. Os filtros solares podem ser químicos (absorvem os raios UV) ou físicos (refletem os raios UV). É comum a associação de filtros químicos e físicos para se obter um filtro solar de FPS mais alto.

O que é FPS?

FPS significa Fator de Proteção Solar. Todo filtro solar tem um número que determina o seu FPS, que pode variar de 2 a 100 .O FPS mede a proteção contra os raios UVB, responsáveis pela queimadura solar, mas não medem a proteção contra os raios UVA.

O que significa o valor do FPS

A pele, quando exposta ao sol sem proteção, leva um determinado tempo para ficar vermelha. Quando se usa um filtro solar com FPS 15, por exemplo, a mesma pele leva 15 vezes mais tempo para ficar vermelha, se for usado um filtro com FPS 30, levará 30 vezes mais tempo para ficar vermelha, e assim por diante.

A partir do FPS 15 todos os filtros são iguais?

Não. Esta é uma idéia que foi divulgada de forma errada. O filtro solar com FPS 15 bloqueia a maior parte dos raios UV e o aumento do FPS aumenta pouco o bloqueio destes raios. No entanto, o tempo em que o filtro solar continuará a absorver os raios UV será maior quanto maior for o FPS, como explicado acima, aumentando o tempo de proteção. Sempre procure a opinião de um Dermatologista para a escolha do melhor protetor para o seu tipo de pele.

Como devo escolher o FPS do meu filtro solar?

O filtro solar deve proteger a pele evitando o dano causado pela radiação solar. Se o filtro que você utiliza permite que sua pele fique vermelha após a exposição ao sol, isto é sinal de que a proteção não está sendo eficaz. Neste caso, você deve aumentar o FPS ou então reaplicar o filtro solar com um intervalo menor.
O fator mínimo para uma proteção adequada é o FPS 15, aplicando o filtro generosamente sempre 20 a 30 minutos antes de se expor ao sol e reaplicando a cada 2 horas ou após mergulhar.
Entretanto, como o FPS é determinado em laboratórios, sob condições ideais, é recomendado dar uma margem de segurança, usando sempre um filtro solar com FPS igual ou maior que 30 em cidades de média de temperatura entre 20 e 30 graus celcius ou um filtro solar com FPS igual ou maior que 50 em cidade em média de temperatura superior a 30 graus celcius.

"Oil free"? Hipoalergênico? Entenda seu filtro solar.

A linguagem utilizada nos rótulos dos filtros solares muitas vezes deixa o consumidor confuso na hora da compra. Aprenda abaixo o que significam os termos mais frequentes e escolha aqueles mais indicados ao seu tipo de pele:

Anti UVA e UVB: filtros que protegem contra os raios ultravioleta A e ultravioleta B.
Hipoalergênico utiliza substâncias que geralmente não provocam alergias.
Livre de PABA ou "PABA Free": filtros que não contém a substância PABA, que tem alto poder de causar alergias.
Livre de óleo ou "oil free": filtros cujos veículos não contém substâncias oleosas. São os mais indicados para pessoas de pele oleosa ou com tendência à formação de cravos e espinhas.
Não comedogênico: filtros que não obstruem os poros, evitando assim a formação de cravos. São também indicados para pessoas de pele oleosa e com tendência à formação de cravos e espinhas.


Atenção: filtro solar que protege não deixa queimar.

Se você usou o filtro solar e mesmo assim se queimou, ou usou um FPS menor do que deveria, ou não aplicou o filtro da forma correta.

Como usar os filtros solares

Os filtros solares estão aí para nos protegerem das radiações solares e, se usados adequadamente, nos permitem aproveitar os prazeres da vida ao ar livre com mais segurança. Veja, abaixo, nossas dicas para o uso correto da proteção solar:

- O fator de proteção solar (FPS) mínimo deve ser o 15.
- Aplique o filtro solar 20 a 30 minutos antes da exposição solar.
- Após aplicar o filtro solar, aguarde 20 minutos antes de mergulhar.
- Nas crianças é melhor fazer a primeira aplicação ainda em casa. Se deixar para aplicar ao chegar na praia ou piscina, vai ser difícil convencê-las a esperar 20 minutos para poder mergulhar.
- o filtro solar de maneira uniforme e abundante por toda a superfície corporal que vai ser exposta ao sol. Economia é sinônimo de proteção inadequada.
- Não esqueça de proteger as orelhas, os lábios e o peito dos pés!
- Peça a alguém para aplicar o filtro solar nas suas costas (deixe a timidez de lado, -é melhor que se queimar).
- Filtro solar em spray também precisa ser espalhado com as mãos, senão a aplicação não fica uniforme.
- Reaplique o filtro solar a cada 2 horas e após mergulhar ou transpiração excessiva.
Filtros à prova d'água também precisam ser reaplicados após o mergulho. Eles resistem melhor, mas acabam saindo.
- Se os olhos ardem quando mergulha, prefira os filtros solares exclusivamente físicos para a face (vale para as crianças, que esfregam as mãos no rosto após mergulhar).
- O uso do filtro solar não significa que você está imune aos efeitos do sol. Cuidado com a exposição excessiva no horário entre 10 e 16 horas. Use barracas, chapéus, bonés, viseiras e camisetas.
- Surfistas que permanecem por longos períodos na água devem utilizar roupas de lycra escura para surfar e filtros solares físicos para a face (são mais aderentes).
- Mulheres, cuidado, alguns filtros solares mancham o esmalte das unhas.

Prucure sempre a opinião de um Dermatologista , pois o melhor protetor solar para a sua pele depende muito da marca,do seu tipo de pele e da intensidade dos raios solares em sua região.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Anvisa: receituário comum pode ser usado para prescrever antibióticos



O Conselho federal de Medicina publicou em seu site uma nota esclarecendo que antibióticos podem ser prescritos pelos médicos com receituário comum. Profissionais devem assegurar apenas o preenchimento dos dados e que as receitas sejam feitas sempre em duas vias (carbonadas, fotocopiadas ou impressas)

Os médicos podem prescrever antibióticos em receituários simples, sem a necessidade de adotar o formulário de medicamentos controlados, desde que sejam feitas receitas em duas vias (carbonadas, fotocopiadas ou impressas). O esclarecimento na interpretação da RDC 44 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi dado pelo seu próprio presidente, Dirceu Raposo de Mello, durante uma visita ao Conselho Federal de Medicina (CFM), quando recebeu sugestões de aperfeiçoamento da medida.

No encontro, em 1º de dezembro, os presidentes de conselhos regionais de medicina relataram a dificuldade percebida nos Estados. Raposo concordou com os argumentos apresentados e explicou como a regra deveria ser entendida. De acordo com ele, o que houve foi um erro de interpretação, pois o receituário especial seria apenas um modelo a ser seguido sem ter o caráter de uso obrigatório.

Para o presidente do CFM, Roberto Luiz d’Avila, com essa orientação, fica mais fácil o trabalho do profissional, que nem sempre possui receituários de medicamentos controlados em seu consultório, e, principalmente, a vida do paciente.

No entanto, ressaltou Raposo, os médicos continuam obrigados a preencher a receita com os dados exigidos na RDC 44. A norma, em vigor desde 28 de novembro, prevê, entre outros pontos, a retenção da primeira via da prescrição pela farmácia e fixa o prazo de sua validade em 10 dias.

O presidente da Anvisa aproveitou sua visita ao CFM para pedir o apoio dos conselhos de medicina na divulgação da medida. Alguns presidentes de CRMs, como os do Amapá – Dorimar dos Santos Barbosa – e do Piauí – Fernando Gomes Correia Lima –, informaram que conseguiram, em âmbito estadual, um prazo de 30 dias para adaptação aos critérios. Dirceu Raposo enfatizou que as particularidades regionais serão respeitadas.

Fonte:Conselho Federal de Medicina (CFM)

Alergia alimentar



Alergia alimentar é um dos assuntos mais complexos, mais pesquisados e ainda pouco compreendidos em alergia clínica.

Alguns tópicos importantes merecem ser comentados:
- Qualquer pessoa, em qualquer idade, pode apresentar reações a alimentos;
- As reações aos alimentos podem ser verdadeiramente alérgicas ou não.

Reações não alérgicas: são as mais comuns, como por exemplo, reações tóxicas : devido à presença de substancias ou contaminantes no alimento (ex: diarreia após alimentação com alimentos com toxinas bacterianas devido à má conservação) e existem reações de intolerância individual: quando a pessoa tem alguma dificuldade de digestão do alimento (ex: intolerância a lactose), o acúmulo dela dentro do intestino acaba "puxando" água dos vasos sanguíneos levando à diarreia;

Reações alérgicas verdadeiras: podem acontecer desde a infância, como é comum com a alergia as proteínas do leite de vaca e da clara do ovo, que geralmente se iniciam nos primeiros anos de vida e podem ou não perdurar até a adolescência e idade adulta, ou podem surgir em qualquer idade, como as reações a crustáceos (camarão, caranguejo, lagosta, siri) que geralmente começam em adolescentes e adultos..


Alergia Alimentar:

Pode se manifestar de diversas formas, como a simples presença de sangue nas fezes em bebês, ou como dor abdominal, vômitos e diarreia em crianças e adultos. Outras manifestações possíveis são a dor ao deglutir, pirose (azia) e sensação de parada do alimento no peito (impactação alimentar) na inflamação alérgica do esôfago (esofagite alérgica). Também podem ocorrer alterações fora do trato gastrointestinal, como urticária (placas vermelhas que coçam muito), angioedema (inchação abrupta nas pálpebras, lábios ou outros locais) e até mesmo sintomas oculares (vermelhidão e coceira recorrentes nos olhos). Eventualmente podem surgir sintomas respiratórios como crises iguais a da asma (chiado, tosse e falta de ar) ou obstrução aguda da laringe (o edema de glote), com ou sem alterações sistêmicas como queda da pressão arterial e choque (anafilaxia).

Intolerância a lactose

Não é uma alergia alimentar, e sim uma dificuldade enzimática do intestino de quebrar o açúcar do leite para absorvê-lo. Pode ocorrer nos bebês pequenos, por imaturidade intestinal, e também transitoriamente após infecções intestinais, que causam lesão do revestimento interno do intestino. Nesse caso a intolerância passa quando o revestimento do intestino volta ao normal.

Na alergia alimentar verdadeira, o sistema imunológico monta uma resposta exagerada e anormal contra proteínas dos alimentos, e sempre que o alimento é ingerido, a resposta imune acontece levando aos sintomas descritos. Por isso é muito importante a exclusão total do alimento e de seus derivados da dieta do alérgico.

Quando o bebê, que ainda mama no peito, tem alergia ao leite de vaca, frequentemente é necessário que a mãe nutriz também exclua totalmente o leite e seus derivados da sua dieta, pois ela pode estar alimentando o bebê com proteínas do leite de vaca que ela bebe e que chegam ao seu leite materno.

Em nosso meio, os alimentos envolvidos com maior frequência na alergia verdadeira são o leite de vaca e a clara de ovo, nas crianças pequenas, e o amendoim/nozes/castanhas e crustáceos nas crianças maiores e adultos. Em menor frequência a soja e outros grãos (ex. Gergelim), peixes, vegetais e frutas, como banana, abacate e kiwi, dentre outros, também podem causar alergia.

A gliadina, uma proteína do glúten presente no trigo, pode causar um tipo de reação imunológica diferente em algumas pessoas, que leva a diarreia crônica, perda de peso ou dificuldade de ganhar peso nas crianças, além de lesões na pele. Essa é a chamada doença celíaca, que também é um tipo diferente de alergia alimentar. Do mesmo jeito, essas pessoas não podem ingerir nada que contenha o glúten do trigo.

Não existem vacinas para alergia alimentar. A exclusão do alimento da dieta é a única forma de prevenir a ocorrência dos sintomas.

A dieta de exclusão é para sempre?

Depende de cada caso. A maioria das crianças alérgicas ao leite de vaca conseguirá tolerar sua ingestão após alguns anos, mas não há como prever e por isso todos devem fazer uma dieta adequada, sob supervisão médica e nutricional após o diagnóstico. Dependendo dos exames de sangue e/ou testes cutâneo-alérgicos e da gravidade das reações anteriores, o especialista em alergia poderá, ou não, tentar reintroduzir cuidadosamente o alimento sob supervisão, após um período de alguns anos. Muitas vezes o sistema imunológico perde a "memória" daquela alergia e deixa de reagir ao alimento. Mas isso só é possível se a dieta for bem feita, para que o sistema imune não fique de vez em quando "sendo lembrado" do alimento que é ingerido.

Procure um médico alergista e tire suas dúvidas. Sempre há muitas opções de substituição do alimento envolvido sem comprometer a nutrição e a qualidade de vida do paciente alérgico. NUNCA TENTE REINTRODUZIR UM ALIMENTO NA DIETA POR CONTA PRÓPRIA, AS CONSEQUÊNCIAS PODEM SER TERRÍVEIS!

Este texto foi escrito pelo Dr. Eduardo Costa, coordenador do setor de Alergia do Hospital Universitário Pedro Ernesto e editor do Blog: ECOS em Alergia e Imunologia

Veneno de inseto causa alergia



Os insetos que mais causam alergia são abelhas, marimbondos e formigas.
Nas pessoas que são alérgicas a picadas de insetos, o organismo interpreta o veneno injetado como um inimigo. Anticorpos são formados para combater a substância, que em tese seria inofensiva. Nessa reação exagerada e inadequada, ocorrem sintomas como coceira, dilatação dos vasos, inchaço nas mucosas e queda da pressão arterial.

O SOCORRO

A pessoa deve procurar o serviço médico com urgência se suspeitar que esteja sofrendo uma reação. Quem já sabe que é alérgico e está exposto a atividades de contato com os insetos tem a possibilidade de carregar consigo medicamentos que controlam a reação, prescritos por um médico. Mesmo assim, devem procurar assistência médica se for picado. Existe também tratamento que impedirão reações instantâneas. Serão precisos dois a três anos de tratamento para que haja a reversão da alergia.

CUIDADOS GERAIS PARA EVITAR PICADAS DE ABELHAS E MARIMBONDOS

- Não use perfume, sabonete, loção pós-barba e spray fixador para cabelo
- Evite movimentos bruscos e excessivos quando próximo à colmeia
- Não grite: as abelhas são atraídas por ruídos, principalmente os agudos
- Evite operar qualquer máquina barulhenta próximo à colmeia
- Tenha cuidado ao entrar em local que possa abrigar colmeia
- Examine a área de trabalho antes de usar equipamentos motorizados
- Cuidado ao amarrar animais domésticos ou gado
- Para remover colméias, chame os bombeiros, um apicultor ou firma especializada
- Ensine as crianças a se precaverem e não molestarem as abelhas

Fonte: Médicos Luiz A. Bernd e Lessandra Michelim

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Piercings, quais os riscos e cuidados? / Dra Luna Azulay

1) Atualmente, fazer piercings pode ser considerada uma prática segura ou ainda envolve riscos?

Dra Luna Azulay: Será segura se for feita como um procedimento cirúrgico, com material esterilizado adequadamente. O maior risco talvez seja a transmissão do vírus da hepatite. Também pode ocorrer infecção cutânea a curto prazo ou, mais tarde, uma reação no local.

2) Existem contra-indicações para esse tipo de prática?

Dra Luna Azulay: Sim. Pacientes com diabetes, problemas na coagulação do sangue, deficiências imunológicas e, certamente, os alérgicos à metal.

3) A partir de que idade o corpo recebe melhor os piercings?

Dra Luna Azulay: Não conheço dados sobre isso. É importante que os pais concordem com o procedimento caso contrário o profissional que fizer o procedimento terá inconvenientes para explicar ter feito o ato no menor.


4) Os piercings mais comuns são feitos no umbigo, na língua, no nariz, na parte superior da orelha e na sobrancelha. Entre esses existe algum que ofereça mais riscos ao corpo? Qual? Pq?

Dra Luna Azulay: Nesses anos que tenho de prática em dermatologia tive casos de complicação com piercing na orelha, na sobrancelha e no umbigo. Algumas vezes foi possível resolver sem precisar retirar o piercing.

5) Quais são os cuidados básicos que devem ser tomados quando fazemos um piercing?

Dra Luna Azulay: No momento do procedimento, ele deve ser feito em condições estéreis. Após o procedimento, o cuidado a ser tomado é como o de qualquer ferimento. E, na seqüência, deve-se tomar cuidado para não haver acúmulo de materiais retidos pelo piercing.

Prof. Dra. Luna Azulay Abulafia

Título de especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia.
Presidente da Internacional Society of Dermatology (Sociedade Internacional de Dermatologia) em 2000.
Presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia do Estado do Rio de Janeiro no biênio 1998/1999.
Presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia 2010
Profª Assistente da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ e Universidade Gama Filho – UGF.
Membro do Colégio Ibero Latino Americano de Dermatologia.
Membro da American Academy of Dermatology
Membro da International Society of Dermatology

Pós-graduação
Doutorado em Dermatologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ. Tese: Hanseníase de Lucio, Fenômeno de Lucio e a Síndrome de Anticorpo Antifosfolipídio. Conclusão em 2004
Mestrado em Dermatologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Tese: Doença de Dowling-Degos. Conclusão em 1982
Especialização em Dermatologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ. Conclusão em 1982

Graduação
Graduada no curso de Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ. Conclusão em 1979.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Antialérgicos ou Anti -histamínicos


Histamina é o nome da substância química mais famosa envolvida nas reações alérgicas. Quando a histamina é liberada, provoca dilatação e inchação dos vasos, bem como aumento secretivo e coceira. No caso da rinite, a presença da histamina ocasiona coceira, espirros, coriza e bloqueio nasal. Na urticária provoca placas avermelhadas com muita coceira na pele. Na alergia ocular, resulta em coceira, avermelhamento e irritação da conjuntiva dos olhos. Na dermatite atópica pode ajudar no controle da coceira, que é intensa e prejudica a pele, agravando a doença.
Desde a década de 30 observou-se que era possível aliviar os sintomas da alergia usando remédios que antagonizassem com a histamina. Mas, só na década de 40 foi lançado o 1º remédio anti-histamínico. Desde então, o conhecimento só fez crescer e hoje dispomos de muitos remédios com esta finalidade.
É importante lembrar que a histamina não é exclusiva da alergia pois participa também de outras doenças. Por isso, hoje existem anti-histamínicos usados no tratamento de vômitos, vertigens, etc. Mas aqui falaremos apenas dos remédios usados no tratamento das alergias, chamados de ANTI-HISTAMÍNICOS H1 (ou antialérgicos H1 podem ser divididos em 2 grupos: 1) Clássicos e 2) Não Clássicos

Antialérgicos ou Anti histamínicos H1 clássicos

Estes são os antialérgicos mais antigos, chamados de primeira geração, pois foram os primeiros a serem usados no tratamento das doenças alérgicas, sendo os mais conhecidos:
- Dexclorofeniramina
- Hidroxizina
- Prometazina
- Ciproeptadina

Efeitos colaterais:

O efeito mais comum e incômodo é a sedação. Citam-se ainda: sonolência (ou agitação), diminuição da concentração, alterações de memória e da coordenação psico-motora. Podem causar também: boca seca, visão turva, retenção da urina, aumento de apetite e ganho de peso. Estes medicamentos devem ser evitados em motoristas, pilotos ou em trabalhadores em risco de acidente.

Uso associado:

Alguns remédios associam antialérgicos H1 a descongestionantes. Algumas destas associações são comercializadas com venda livre e até anunciadas na mídia como antigripais. Mas, seu uso deve ser evitado, a não ser quando prescritas pelo médico.
A associação com descongestionantes (pseudoefedrina) pode provocar efeitos colaterais desagradáveis, como: taquicardia, palpitações, insônia, nervosismo e irritabilidade, entre outros.

Antialérgicos ou anti histamínicos H1 não clássicos

Este grupo de medicamentos é também conhecido como de “segunda geração” ou de “nova geração”, pois são os mais modernos, englobando uma vasta gama de produtos, pertencentes aos seguintes grupos:
- Loratadina
- Desloratadina:
- Cetirizina
- Levocetirizina
- Ebastina
- Fexofenadina
O surgimento destes medicamentos foi um avanço, pois proporcionam alívio dos sintomas causando pouca sedação, com mínimos efeitos na atividade psicomotora.
Em alguns casos, pode ocorrer dor de cabeça (cefaléia), sendo o efeito colateral mais significativo. A maioria está autorizado para uso em crianças e adultos. Desloratadina e fexofenadina estão autorizados para uso após 6 meses de idade, sendo os demais recomendados após 2 anos de idade.

Uso associado

Estes medicamentos também podem ser usados em associação com pseudoefedrina, resultando em efeito descongestionante. Neste caso, o nome comercial vem acrescido da letra D. Do mesmo modo que nos AH clássicos, deve ser feito com cautela devido à possibilidade de efeitos adversos, em especial: insônia. agitação, taquicardia, ações na próstata e glaucoma, entre outros.

Antialérgicos – anti histamínicos de uso nasal e ocular

Recentemente foram lançados medicamentos antihistamínicos pra uso em forma de spray nasal ou de gota ocular de forma a atuar no tratamento direto da rinite e da alergia ocular, com mínimos efeitos colaterais. São eles:
- Azelastina
- Olopatadina
- Emedastina
- Cetotifeno

Antialérgico – anti histamínico fitoterápico

Existe antialérgico no mercado à base do extrato das folhas de Petasites hybridus

Antialérgico – anti histamínico usados sob forma de cremes e pomadas

Não são recomendados para uso devido à sua baixa eficácia e alto índice de alergia, dermatite de contato, muitas vezes de grande intensidade, comprometendo o paciente.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Tintura de cabelo que não causa alergia ?



Pesquisadores tentam criar alternativa natural à tintura de cabelo


Uma ótima notícia para mulheres que não querem ou não podem usar a tintura convencional nos fios: pesquisadores da Universidade de Leeds, na Inglaterra, estão desenvolvendo uma tintura natural que pode chegar às prateleiras em cerca de dois anos. Livre de substâncias sintéticas, o produto é feito à base de algas marinhas e, em testes iniciais, cobriu completamente os fios brancos das mulheres.
Os pesquisadores britânicos esperam desenvolver em breve uma linha de tinturas naturais em tons de castanho, ruivo, preto e louro. O objetivo é retirar das algas os pigmentos que correspondem a essas cores, e conseguir transformá-los em um produto seguro de ser usado em casa ou no cabeleireiro.
Além de fios ressecados e sem vida, muitas tinturas contêm ingredientes danosos para a saúde, que podem causar desde dermatites (alergias cutâneas) e até mesmo aumentar o risco de certos tipos de câncer.

Enquanto a novidade não chega ao mercado, ficam algumas dicas:

- Prefira usar a henna indiana, que é bem tolerada pela maioria das pessoas.


- Peça orientação ao alergista antes de utilizar a tinta.


- Tonalizantes ou tinturas semi-permanentes podem ser uma opção segura em alguns casos.


- Se for necessário, o alergista realizará um teste de contato antes de escolher a tintura.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

INFECÇÃO PELO PAPILOMAVIRUS HUMANO1 (HPV)


Doença infecciosa, de transmissão freqüentemente sexual, também conhecida como condiloma acuminado, verruga genital ou crista de galo.

O Papilomavírus humano (HPV) é um DNA-vírus não cultivável do grupo papovavírus. Atualmente são conhecidos mais de 70 tipos, 20 dos quais podem infectar o trato genital. Estão divididos em 3 grupos, de acordo com seu potencial de oncogenicidade. Os tipos de alto risco oncogênico, quando associados a outros co-fatores, tem relação com o desenvolvimento das neoplasias intra-epiteliais e do câncer invasor do colo uterino.

Associação de 15 tipos de HPV às doenças neoplásicas do colo uterino e seus precursores



Classificação em função da associação com lesões graves Tipos de HPV Associação com lesões cervicais :
- Baixo risco = NIC = 6, 11, 42, 43 e 44 = Associação com lesões cervicais = 20,2% em NIC de baixo grau, praticamente inexistentes em carcinomas invasores
- Risco intermediário = NIC = 31, 33, 35, 51, 52 e 58 = Associação com lesões cervicais = 23,8% em NIC de alto grau mas em apenas 10,5% dos carcinomas invasores
- Alto risco :
* NIC = 16 = Associação com lesões cervicais = 47,1% em NIC de alto grau ou carcinoma invasor
* NIC = 18, 45 e 56 = Associação com lesões cervicais = 6,5% em NIC de alto grau e 26,8% em carcinoma invasor

QUADRO CLÍNICO :

A maioria das infecções são assintomáticas ou inaparentes. Podem apresentar-se clinicamente sob a forma de lesões exofíticas. A infecção pode também assumir uma forma denominada subclínica, visível apenas sob técnicas de magnificação e após aplicação de reagentes, como o ácido acético. Ainda, este vírus é capaz de estabelecer uma infecção latente em que não existem lesões clinicamente identificáveis ou subclínicas, apenas sendo detectável seu DNA por meio de técnicas moleculares em tecidos contaminados. Não é conhecido o tempo em que o vírus pode permanecer nesse estado, e quais fatores são responsáveis pelo desenvolvimento de lesões. Por este motivo, não é possível estabelecer o intervalo mínimo entre a contaminação e o desenvolvimento de lesões, que pode ser de semanas, a décadas.

Algumas estudos prospectivos têm demonstrado que em muitos indivíduos, a infecção terá um caráter transitório, podendo ser detectada ou não. O vírus poderá permanecer por muitos anos no estado latente e, após este período, originar novas lesões. Assim, a recidiva de lesões pelo HPV está muito mais provavelmente relacionada à ativação de "reservatórios" próprios de vírus do que à reinfecção pelo parceiro sexual. Os fatores que determinam a persistência da infecção e sua progressão para neoplasias intraepiteliais de alto grau (displasia moderada, displasia acentuada ou carcinoma in situ) são os tipos virais presentes e co-fatores, entre eles, o estado imunológico, tabagismo e outros de menor importância.

Os condilomas, dependendo do tamanho e localização anatômica, podem ser dolorosos, friáveis e/ou pruriginosos. Quando presentes no colo uterino, vagina, uretra e ânus, também podem ser sintomáticos. As verrugas intra-anais são predominantes em pacientes que tenham tido coito anal receptivo. Já as perianais podem ocorrer em homens e mulheres que não têm história de penetração anal. Menos freqüentemente podem estar presentes em áreas extragenitais como conjuntivas, mucosa nasal, oral e laríngea.

Na forma clinica as lesões podem ser únicas ou múltiplas, localizadas ou difusas e de tamanho variável, localizando-se mais freqüentemente no homem, na glande, sulco bálano-prepucial e região perianal, e na mulher, na vulva, períneo, região perianal, vagina e colo.

Os tipos 16, 18, 31, 33, 35, 45, 51, 52, 56 e 58, são encontrados ocasionalmente na forma clínica da infecção (verrugas genitais) e tem sido associados com lesões externas (vulva, pênis e ânus), com neoplasias intra-epiteliais ou invasivas no colo uterino e vagina. Quando na genitália externa, estão associados a carcinoma in situ de células escamosas, Papulose Bowenoide, Eritroplasia de Queyrat e Doença de Bowen da genitália. Pacientes que tem verrugas genitais podem estar infectados simultaneamente com vários tipos de HPV. Os tipos 6 e 11 raramente se associam com carcinoma invasivo de células escamosas da genitália externa.

DIAGNÓSTICO :

O diagnóstico do condiloma é basicamente clínico, podendo ser confirmado por biópsia, embora isto raramente seja necessário. Este procedimento está indicado quando:
• existir dúvida diagnóstica ou suspeita de neoplasia (lesões pigmentadas, endurecidas, fixas ou ulceradas);
• as lesões não responderem ao tratamento convencional;
• as lesões aumentarem de tamanho durante ou após o tratamento;
• o paciente for imunodeficiente.
Nesses casos recomenda-se a realização de várias biópsias, com material retirado de vários locais diferentes da lesão. As lesões cervicais, subclínicas, são geralmente detectadas pela citologia oncótica, devendo ser avaliadas pela colposcopia e biópsias dirigidas.

O diagnóstico definitivo da infecção pelo HPV é feito pela identificação da presença do DNA viral por meio de testes de hibridização molecular (hibridização in situ, PCR, Captura Híbrida). O diagnóstico por colpocitologia nem sempre está correlacionado com a identificação do DNA do HPV. As alterações celulares causadas pelo HPV no colo uterino têm o mesmo significado clínico que as observadas nas displasias leves ou neoplasia intra-epitelial de grau I. Mais recentemente, ambas as condições têm sido denominadas indistintamente como lesão intra-epitelial escamosa de baixo grau (Low Grade Squamous Intraepithelial Lesion – LSIL), com grande chance de regressão sem tratamento. Existem testes que identificam vários tipos de HPV mas não está claro seu valor na prática clínica e as decisões quanto a condutas clínicas não devem ser feitas com base nestes testes. Também não é recomendável o rastreio de infecção subclínica pelo HPV por meio desses testes.

TRATAMENTO :

O objetivo principal do tratamento da infecção pelo HPV é a remoção das verrugas sintomáticas, levando a períodos livres de lesões em muitos pacientes. Verrugas genitais freqüentemente são assintomáticas. Nenhuma evidência indica que os tratamentos atualmente disponíveis erradicam ou afetam a história da infecção natural do HPV. A remoção da verruga pode ou não diminuir sua infectividade. Se deixados sem tratamento, os condilomas podem desaparecer, permanecer inalterados, ou aumentar em tamanho ou número. Nenhuma evidência indica que o tratamento do condiloma prevenirá o desenvolvimento de câncer cervical.

Os tratamentos disponíveis para condilomas são: crioterapia, eletrocoagulação, podofilina, ácido tricloroacético (ATA) e exérese cirúrgica.

A maioria dos pacientes tem de 1 a 10 verrugas, que respondem à maioria das
modalidades de tratamento.

Com o método escolhido, nenhum dos tratamentos disponíveis é superior aos outros, e nenhum tratamento será o ideal para todos os pacientes nem para todas as verrugas.

Fatores que podem influenciar a escolha do tratamento são o tamanho, número e local da lesão, além de sua morfologia e preferência do paciente, custos, disponibilidade de recursos conveniência, efeitos adversos, e a experiência do profissional de saúde.

Em geral, verrugas localizadas em superfícies úmidas e/ou nas áreas intertriginosas respondem melhor a terapêutica tópica (ATA, podofilina) que as verrugas em superfícies secas.

Planejar o tratamento juntamente com o paciente é importante porque muitos pacientes necessitarão de mais de uma sessão terapêutica. Deve-se mudar de opção terapêutica quando um paciente não melhorar substancialmente depois de três aplicações, ou se as verrugas não desaparecerem completamente após seis sessões. O balanço entre risco e benefício do tratamento deverá ser analisado no decorrer do processo para evitar tratamento excessivo.

Raramente ocorrem complicações se os tratamentos são utilizados corretamente. Os pacientes deverão ser advertidos da possibilidade de cicatrizes hipo ou hipercrômicas quando são utilizados métodos destrutivos. Também podem resultar, embora raramente, em áreas deprimidas ou hipertróficas, especialmente se o paciente não teve tempo suficiente para cicatrização total antes de uma nova sessão terapêutica. Mais raramente, o tratamento pode resultar em síndromes dolorosas incapacitantes, como vulvodínia ou hiperestesia do local tratado.

Lesões na genitália externa

• Podofilina 10-25% em solução alcoólica ou em tintura de Benjoim: deve-se aplicar uma pequena quantidade em cada verruga, e deixar secar. Para evitar a possibilidade de complicações associadas com sua absorção sistêmica e toxicidade, alguns especialistas recomendam que se utilize até 0,5 ml em cada aplicação ou que se limite a área tratada em até 10 cm2 por sessão. Outros sugerem que a solução seja retirada por lavagem da área tratada em 1-4 horas depois da aplicação para reduzir a irritação no local. Repetir semanalmente se necessário. Nunca usar durante a gravidez. A podofilina contêm uma série de substâncias com ação antimitótica. Todavia, a proporção dessas substâncias varia consideravelmente entre os preparados. A validade e estabilidade dos preparados são desconhecidas. O descuido em permitir que o paciente vista-se antes da completa secagem da solução pode espalhá-la em áreas vizinhas levando a uma extensa área de irritação local. Sua absorção em grandes quantidades pode ser tóxica para o coração, rins e sistema nervoso.
• Ácido tricloroacético (ATA) a 80-90% em solução alcoólica: aplicar pequena quantidade somente nos condilomas e deixar secar, após o que a lesão assumirá aspecto branco. Caso seja aplicada quantidade excessiva, pode-se remover o excesso polvilhando talco ou bicarbonato de sódio. Repetir semanalmente se necessário. O ATA é um agente cáustico que promove destruição dos condilomas pela coagulação química de seu conteúdo protéico. Apesar de sua larga utilização, não foi investigado exaustivamente. As soluções de ATA são muito fluidas, comparáveis à água, e podem se espalhar rapidamente, se aplicadas em excesso, causando dano às áreas adjacentes às lesões. Deve ser aplicada com cuidado, deixando-a secar antes mesmo do paciente mudar sua posição, para que a solução não "escorra" para outros locais. Se a dor for intensa, o ácido pode ser neutralizado com sabão ou bicarbonato de sódio. Este método poderá ser usado durante a gestação, quando a área lesionada não for muito extensa. Do contrario, este deverá ser associado a exérese cirúrgica (ver item específico)
• Eletrocauterização ou Eletrocoagulação ou Eletrofulguração: este método utiliza um eletrocautério para remover ou fulgurar lesões isoladas. Exige equipamento específico e anestesia local. Não se aplica nas lesões vaginais, cervicais e anais, visto que o controle da profundidade do efeito é difícil, podendo levar à necrose tecidual extensa e estenose em estruturas tubulares, como canal anal e vagina.
• Criocauterização ou Crioterapia ou Criocoagulação: este método promove a destruição térmica por dispositivos metálicos resfriados por CO2 (criocautérios). A crioterapia depende de equipamento específico e elimina as verrugas por induzir citólise térmica. É útil quando há poucas lesões ou nas lesões muito ceratinizadas e raramente necessita de anestesia. Pode ser necessária mais de uma sessão terapêutica, respeitando um intervalo de 1 a 2 semanas. Sua maior desvantagem está em exigir razoável nível de treinamento sem o qual os condilomas são freqüentemente tratados excessivamente ou de forma insuficiente, resultando em diminuição de sua eficácia e maior chance de complicações. Apesar da anestesia local não ser necessária rotineiramente, poderá facilitar o tratamento se existirem muitas lesões ou uma extensa área envolvida.
• Exérese cirúrgica: é método apropriado para o tratamento de poucas lesões a nível ambulatorial, especialmente quando é desejável exame histopatológico do espécime. A exérese cirúrgica têm a vantagem de, assim como na eletrocauterização, eliminar as lesões em apenas uma sessão de tratamento. Todavia, é necessário treinamento, anestesia local e equipamento específico, além de alongar o tempo de consulta. Os condilomas podem ser retirados por meio de uma incisão tangencial com tesoura delicada, bisturi ou cureta. Como a maioria das lesões são exofíticas, estes métodos resultam em uma ferida que envolve a porção superficial da derme. A hemostasia pode ser obtida por eletrocoagulação. Normalmente a sutura não é necessária. Esse método traz maiores benefícios aos pacientes que tenham grande número de lesões ou extensa área acometida, ou ainda, em casos resistentes a outras formas de tratamento.

Lesões vegetantes do colo uterino

Na presença de lesão vegetante no colo uterino deve-se excluir a possibilidade de tratar-se de uma neoplasia intra-epitelial antes de iniciar o tratamento. Estas pacientes devem ser referidas a um serviço de colposcopia para diagnóstico diferencial e tratamento.

Lesões vaginais

• ATA a 80-90%: aplicar somente sobre as lesões. Deixar secar antes de retirar o espéculo vaginal. Não aplicar sobre área extensa em uma única sessão para evitar estenose vaginal. Pode ser aplicado semanalmente, se necessário. Para remoção do acido quando aplicado em excesso, recomenda-se a aplicação de bicarbonato de sódio ou talco.
• Podofilina 10-25%: aplicar sobre as lesões e deixar secar antes de retirar o espéculo. Tratar, no máximo, 2 cm2 por sessão, repetindo a aplicação em intervalos semanais, se necessário. Alguns especialistas são contrários ao seu uso em lesões vaginais devido aos seus efeitos tóxicos e à capacidade aumentada de absorção vaginal. Não utilizar durante a gestação.
• Observação: a crioterapia não se aplica para lesões vaginais, em virtude do risco de perfuração vaginal e formação de fístulas.

Lesões no meato uretral

• ATA a 80-90%: aplicar somente sobre as lesões. Deixar secar antes de permitir o contato da área tratada com a mucosa normal. Não aplicar sobre área extensa em uma única sessão para evitar estenose. Pode ser aplicado semanalmente, se necessário. Para remoção do acido quando aplicado em excesso, recomenda-se a aplicação de bicarbonato de sódio ou talco.
• Podofilina 10-25%: aplicar sobre as lesões e deixar secar antes de permitir o contato da área tratada com a mucosa normal. Pode ser aplicado semanalmente, se necessário. Não utilizar durante a gestação.

Lesões anais

• ATA a 80-90%. Aplicar somente sobre as lesões. Deixar secar antes de permitir o contato da área tratada com a mucosa normal. Não aplicar sobre área extensa em uma única sessão para evitar estenose. Pode ser aplicado semanalmente, se necessário. Para remoção do acido quando aplicado em excesso, recomenda-se a aplicação de bicarbonato de sódio ou talco.
• Exérese cirúrgica.
• Observação: a conduta frente a lesões em mucosa anal deve ser decidida por um especialista.

Lesões orais

• Exérese cirúrgica.

SEGUIMENTO

Após o desaparecimento dos condilomas, não é necessário controle. Os pacientes devem ser notificados da possibilidades de recorrência, que freqüentemente ocorre nos três primeiros meses. Como não se conhece a sensibilidade e a especificidade do auto-diagnóstico, os pacientes devem ser examinados três meses após o final do tratamento. Novos exames em intervalos menores, podem ser úteis para:
• documentar a inexistência de condilomas;
• controlar ou tratar complicações do tratamento; e
• reforçar a orientação e aconselhamento quanto à prevenção do HIV e de outras DST.

As mulheres devem ser aconselhadas quanto à necessidade de submeterem-se ao rastreio de doenças pré-invasivas do colo uterino, na mesma freqüência que as mulheres não contaminadas pelo HPV. A presença de condilomas genitais sem lesão macroscópica cervical ou suspeita colpocitológica (Papanicolaou) de lesão pré-invasiva, não é indicação para colposcopia.

As mulheres tratadas por lesões cervicais devem ser seguidas de rotina após tratamento pelo exame ginecológico e citologia oncótica a cada 3 meses, por 6 meses; em seguida, a cada 6 meses, por 12 meses e após este período, anualmente, se não houver evidência de recorrência.

CONDUTA PARA PARCEIROS SEXUAIS

O exame dos parceiros sexuais não tem utilidade prática para o manejo dos condilomas, porque o papel da reinfecção na persistência ou recidiva de lesões é mínimo, ainda que na ausência de tratamento que erradique o vírus. Sendo assim, o tratamento do parceiro com objetivo de reduzir sua transmissão, não é necessário. Todavia, como o auto-exame tem valor desconhecido, os parceiros sexuais de pacientes com condilomas devem ser buscados, uma vez que poderão se beneficiar de exame médico para avaliação da presença de condilomas não suspeitados, ou de outras DST. Esses parceiros também podem ser beneficiados pela orientação quanto às implicações de terem um parceiro sexual portador de condiloma, especialmente no caso das mulheres, ou seja, as parceiras devem ser aconselhadas a submeterem-se regularmente ao rastreio de doenças pré-invasivas do colo uterino, como qualquer mulher sexualmente ativa. Como o tratamento de condilomas não elimina o HPV, os pacientes e seus parceiros devem ser cientificados de que podem ser infectantes, mesmo na ausência de lesões visíveis. O uso de preservativos pode reduzir, mas não eliminar, o risco de transmissão para parceiros não contaminados.

GESTANTES

Na gestação, as lesões condilomatosas poderão atingir grandes proporções, seja pelo aumento da vascularização, seja pelas alterações hormonais e imunológicas que ocorrem neste período.

Como as lesões durante a gestação podem proliferar e tornar-se friáveis, muitos especialistas indicam a sua remoção nesta fase.

Os tipos 6 e 11 podem causar papilomatose laringeal em recém-nascidos e crianças.

Não se sabe, até o momento, se a via de transmissão é transplacentária, perinatal ou pós-natal.

Não está estabelecido o valor preventivo da operação cesariana; portanto, esta não deve ser realizada baseando-se apenas na prevenção da transmissão do HPV para o recém-nascido. Apenas em raros casos, quando as lesões estão causando obstrução do canal de parto, ou quando o parto vaginal possa ocasionar sangramento excessivo, a operação cesariana poderá ser indicada.

A escolha do tratamento vai se basear no tamanho e número das lesões:

• Nunca usar Podofilina durante qualquer fase da gravidez.• Lesões pequenas, isoladas e externas: eletro ou criocauterização em qualquer fase da gravidez.
• Lesões grandes e externas: ressecção com eletrocautério ou cirurgia de alta freqüência ou exérese por alça diatérmica ou LEEP (Loop Excison Electrosurgical Procedure), em qualquer fase da gravidez. Pode resultar em sangramento importante e deve restringir-se à lesão propriamente dita, além de limitar-se ao uso por profissional habilitado.
• Lesões pequenas, colo, vagina e vulva: eletro ou criocauterização, apenas a partir do 2º trimestre.
• Se o tamanho e localização das lesões forem suficientes para provocar obstrução e/ou hemorragias vaginais, deve-se indicar o parto cesáreo.
• Embora os tipos 6 e 11 possam causar papilomatose laríngea em crianças, o risco da infecção nasofaríngea no feto é tão baixa que não se justifica a indicação eletiva de parto cesáreo.
• Mulheres com condilomatose durante a gravidez deverão ser seguidas com citologia oncológica após o parto.

PORTADORES DO HIV :

Pessoas imunossuprimidas em decorrência da infecção pelo HIV, ou por outras razões, podem não responder ao tratamento para o HPV como as imunocompetentes e podem acontecer recidivas mais freqüentes. O carcinoma escamoso pode surgir mais freqüentemente em imunossuprimidos, valorizando a biópsia de lesões neste grupo de pacientes. O tratamento para esses pacientes, deve basear-se nos mesmos princípios referidos para os HIV negativos.

NEOPLASIAS INTRAEPITELIAIS DE ALTO GRAU

Pacientes com lesões intraepiteliais de alto grau (High Grade Squamous Intraepithelial Lesion - HSIL) ou displasias moderada ou acentuada, ou carcinoma in situ NIC II ou NIC III, devem ser referidos a serviço especializado para confirmação diagnóstica, afastar possibilidade de carcinoma invasivo e realização de tratamento especializado. Os tratamentos ablativos são efetivos mas o controle pós-tratamento é importante. O risco destas lesões progredirem para carcinoma invasivo em pacientes imunocompetentes, após tratamento efetivo, é muito baixo.

Recomendações :
Ao atender a portadora de DST, o profissional de saúde deve perguntar sobre o resultado de sua última colpocitologia e a época em que foi realizada. A seguir deve informá-la sobre:
• a importância e o objetivo da colpocitologia;
• a necessidade de sua realização periódica; e
• os locais onde são realizadas as coletas de colpocitologia, quando este material não puder ser colhido na própria consulta.
Se a paciente portadora de DST não se submeteu a uma colpocitologia nos últimos 12 meses:
• a coleta deverá ser realizada tão logo a DST seja controlada;
• se a DST é uma infecção pelo HPV, a coleta deve fazer parte do exame ginecológico rotineiro;
• o exame ginecológico deve ser feito quando existe dúvida, pois a paciente pode acreditar que submeteu-se a este teste quando isto na verdade não ocorreu. Isto também será recomendável quando a paciente não souber informar quanto ao resultado do teste, seja por desinformação ou por não ter buscado seu resultado, como freqüentemente ocorre em nosso meio. Qualquer mulher será beneficiada pelo recebimento por escrito do resultado de sua colpocitologia e da conduta posterior. Se possível, forneça cópia ou transcrição do resultado deste teste à própria paciente para que faça parte de seus documentos médicos.

Outras considerações importantes :

É importante lembrar que:
• a colpocitologia não é um teste efetivo para rastreamento de DST;
• se a mulher está menstruando, a coleta da colpocitologia deve ser adiada e a mulher aconselhada quanto a submeter-se ao exame tão logo seja possível;
• a presença de colpites ou colpocervicites pode comprometer a interpretação da colpocitologia. Nestes casos, a mulher deve ser tratada especificamente e retornar para coleta. Todavia, se for improvável que a mulher retorne, a oportunidade de coleta não deve ser desperdiçada. Neste caso, o excesso de secreção pode ser retirado com algodão ou gaze, embebidos em soro fisiológico;
• deve-se observar que numa investigação de DST, quando serão colhidos espécimes para diagnóstico bacteriológico, o material para colpocitologia deve ser colhido por último;
• uma mulher portadora de condilomas não necessita de coletas mais freqüentes de colpocitologia do que as demais, salvo nos casos comentados acima de anomalias ao diagnóstico citológico e em pacientes imunossuprimidas;
• mulheres histerectomizadas não demandam rastreio rotineiro de câncer cérvico-uterino, a menos que a histerectomia tenha sido sub-total ou realizada por câncer cervical ou seus precursores. Nestas situações, a mulher deve ser aconselhada a manter seu controle no serviço especializado que realizou a cirurgia;
• profissionais de saúde treinados e serviços que adotem medidas para assegurar uma boa amostra colpocitológica obtêm poucos esfregaços insatisfatórios. Estas medidas incluem: identificação adequada da(s) lâmina, com iniciais da paciente e seu registro na Unidade de Saúde e, na embalagem, nome completo, registro,
data da coleta e nome do profissional que colheu a amostra; coleta ecto e endocervical; uso de escova endocervical; fixação logo após a realização do esfregaço;
• apesar de identificarem os tipos de HPV de alto risco para câncer cérvico-uterino, os testes para sua identificação têm discutida aplicação clínica e, por este motivo, não são recomendados.

Prevenção / Vacinação :

1) O que é a Vacina Quadrivalente contra HPV?
A Vacina Quadrivalente contra HPV é a primeira vacina para prevenção do câncer do colo do útero, lesões pré-cancerígena e verrugas genitais caudados pelo vírus HPV.

2) Como a Vacina Quadrivalente contra HPV é administrada?
A Vacina Quadrivalente contra HPV é administrada numa série de 3 injeções intramuscular num período de 6 meses. A segunda e a terceira dose devem ser dadas 2 meses e 6 meses, respectivamente, após a primeira dose.

3)A vacina contra HPV irá substituir o Papanicolaou?
Não. A vacina veio para agregar. Uma boa cobertura do Papanicolaou juntamente com uma vacinação terá uma maior efetividade de proteção.

4)Jovens/Mulheres vacinadas ainda precisam fazer o Papanicolaou?
Sim. Existem três razões pelas quais elas ainda precisam ir ao ginecologista regularmente e realizar o Papanicolaou:
• a vacina não proporciona proteção contra todos os tipos de HPV que causam o câncer de colo de útero;
• algumas mulheres podem não tomar todas as doses necessárias, não obtendo assim o benefício total da vacina;
• Existem outras doenças (clamídia, tricomonas etc.) que são detectadas pelo Papanicolaou.

5)Quem teve HPV pode tomar a vacina?
A mulher que teve um exame positivo para HPV não traduz que tem ou vai ter as lesões causadas pelo HPV. Na maioria das vezes a mulher que entrou em contato com o vírus, poderá eliminá-lo, muitas vezes, sem saber que teve contato. Essa mulher irá beneficiar-se com a vacinação.

6)As gestantes podem ser vacinadas?
A vacina não está recomendada para mulheres grávidas. Ela deve aguardar o final da gestação tomar a vacina.

OBS = Procure seu Ginecologista para maiores informações.