quinta-feira, 31 de julho de 2008

Alergia aos anestésicos

Anestesia consiste no uso de medicamentos com objetivo de bloquear a dor durante um procedimento, sendo amplamente utilizada, desde pequenos curativos, exames diagnósticos, extrações dentárias, partos, até grandes cirurgias.

Existem diversos tipos de anestesia:
Local: usada em procedimentos menores e aplicada diretamente no local que será tratado.
Geral: usado para cirurgias e procedimentos maiores, onde o paciente é mantido inconsciente, ou seja, todo seu corpo fica anestesiado.
Peridural ou raquianestesia: neste caso é feito um bloqueio da dor do abdome até os membros inferiores.

A alergia aos anestésicos não é tão freqüente como parece. Estatísticas apontam para um caso de complicação específica da anestesia para cada 10 mil cirurgias (não incluindo urgências e emergências). No entanto, é comum que uma pessoa sinta receio e temor ao saber que necessita usar algum tipo de anestesia. È importante ressaltar que diariamente milhares de anestesias são aplicadas com total segurança. Entretanto, infelizmente, os dados que chegam às páginas dos jornais e à mídia se resumem aos insucessos, induzindo a falsa idéia de que estes são predominantes.

O médico anestesista não apenas administra os medicamentos, mas acompanha as funções vitais e a evolução de cada paciente durante o ato anestésico, o que torna o procedimento seguro. A visita pré anestésica permite que o profissional avalie cada pessoa e tenha conhecimento de suas características individuais. È importante referir ao anestesista se é portador algum tipo de alergia ou de outras doenças e se utiliza algum medicamento que pode interferir com a anestesia. Pessoas que já tiveram reações anteriores ou que tiverem dúvidas quanto à possibilidade de uma reação ao anestésico, devem comunicar estes fatos ao anestesista para que ele possa fazer a escolha adequada.

Ressalta-se que analgésicos são diferentes e tem atuação independente no organismo. Por isso, não significa que as pessoas portadoras de reações com analgésicos e antinflamatórios terão mais chance de ter reação também com anestésicos. Mesmo assim, estas reações devem ser relatadas ao médico a fim de que se evite o uso no pós-operatório.


Reação aos anestésicos gerais

Os principais anestésicos gerais são:
- Parenterais: tiopental, tiamilal, etomidato, propofol, cetamina
- Inalatórios: podendo ser gasosos (óxido nitroso ou protóxido de nitrogênio ou protóxido de azoto) ou ainda sob forma de líquidos voláteis (hidrocarbonetos halogenados: halotano, enflurano, isoflurano, sevoflurano).

A anestesia geral é um método seguro mas pode se acompanhar de reações alérgicas, em geral de pequena monta. Eventualmente pode surgir uma reação anafilática. Numa anestesia geral, o paciente está sob o efeito não apenas do anestésico propriamente dito, mas também de outros medicamentos que auxiliam na sedação e no efeito da anestesia. Citam-se como exemplos: anti-sépticos, analgésicos, expansores plasmáticos, sangue e derivados, etc.

Reações alérgicas e pseudo alérgicas podem ocorrer. Nem sempre é fácil determinar a causa porque são administradas muitas drogas de maneira simultânea. Observa-se que os medicamentos pré-anestésicos e os relaxantes musculares são causas freqüentes de reações alérgicas na anestesia geral.

Reações alérgicas aos anestésicos são menos comuns nas crianças (primeira década de vida) e após os 70 anos. Verifica-se maior incidência de reações aos relaxantes musculares em mulheres, provavelmente por reação cruzada a um radical encontrado tanto nos relaxantes como em alguns cosméticos.

Pessoas portadoras de alergia ao látex poderão ter reações adversas no momento da cirurgia, já que produtos contendo estas substâncias são muito comuns em ambientes hospitalares, em especial nas salas de cirurgia.

Em caso de ocorrência de reações alérgicas à anestesia, é importante que se procure um médico especialista em Alergia, para que possa analisar a história do paciente de forma minuciosa e indicar a conduta mais adequada para cada caso.

Reação aos anestésicos locais

Os principais anestésicos locais pertencem a dois grupos de substâncias:
1. Grupo Amida: é o grupo mais utilizado: lidocaina (xilocaína), bupivacaína, levobupivacaína, prilocaína, ropivacaína.
2. Grupo Éster: tetracaína, benzocaína, procaína (novocaína).

As reações aos anestésicos locais são mais freqüentes e podem ser de 3 tipos:

- Reações vaso-vagais: sudorese, mal estar, taquicardia, desmaios. Resultam de reação nero-vegetativa derivada do medo, ansiedade ou pânico.
- Reações tóxicas: resultam de uma injeção de quantidade excessiva do anestésico ou por introdução acidental nos vasos sanguíneos da região anestesiada. Estas constituem a maioria das reações descritas, não tendo mecanismo alérgico. Podem provocar desde reações discretas como outras de maior gravidade.
- Reações alérgicas: são mais raras (cerca de 1%), mas podem ser intensas e graves.
- Dermatite de Contato Alérgica: são formas mais freqüentes e benignas, resultantes da aplicação na pele dos anestésicos sob forma de cremes, pomadas e soluções. No paciente sensibilizado, um ou dois dias após a aplicação surge uma reação de eczema (vermelhidão, coceira, vesículas).

As reações alérgicas aos anestésicos locais podem ser prevenidas através da avaliação clínica e análise do episódio anterior, seguida da realização de teste cutâneo com o anestésico alternativo. Em geral utiliza-se a lidocaína como teste em função de sua utilização e baixa incidência de reações.

Ceratose actínica (ceratose solar)

As ceratoses actínicas são lesões que surgem nas áreas da pele continuamente expostas ao sol e é resultado do efeito acumulativo da radiação ultra-violeta do sol sobre a pele durante toda a vida. As pessoas de pele clara e idade avançada são mais afetadas. A doença não é, entretanto, privilégio de idosos, aparecendo também em pessoas de meia idade que se expuseram de forma intensa e repetida ao sol.

As ceratoses solares estão incluídas entre as dermatoses pré-malignas pois podem, eventualmente, se transformar em um câncer da pele.

As lesões aparecem principalmente na face, couro cabeludo (homens calvos) e dorso dos braços e das mãos. Podem ter vários aspectos: avermelhadas e descamativas, manchas de cor escura discretamente elevadas e rugosas ou lesões ásperas, bastante elevadas e endurecidas.


O número de lesões varia muito podendo ser desde lesão única até áreas de pele completamente recobertas por ceratoses. As escamas endurecidas que recobrem as ceratoses podem se soltar devido a traumatismos mas voltam a se formar.

Quando ocorre a transformação em câncer da pele, as ceratoses tornam-se mais elevadas, pode haver vermelhidão na sua base e sangram com facilidade a pequenos traumatismos.

Tratamento :

Devido ao fato de serem lesões pré-cancerosas as ceratoses actínicas devem ser tratadas. O tratamento é feito através da destruição das ceratoses pela cauterização química, eletrocoagulação ou crioterapia com nitrogênio líquido, devendo ser realizado por um médico dermatologista após a avaliação de cada caso.

Ceratose folicular ou pilar

Manifestação frequente devido a uma alteração da última camada da pele que forma "rolhas" nas aberturas dos folículos pilosos. Geralmente surge na infância e há uma tendência familiar. A causa é genética, mas hábitos como os de usar roupas justas podem agravar o quadro.

As áreas mais frequentemente acometidas são a parte externa dos braços (principalmente) e das coxas. A doença se manifesta pela formação de "bolinhas" endurecidas nas aberturas dos poros, que deixam a pele áspera. As "rolhas" causam a retenção da secreção sebácea podendo formar lesões semelhantes a espinhas que, algumas vezes, podem inflamar e deixar manchas escuras residuais.


Tratamento :

Não existe uma forma de se acabar definitivamente com a doença, mas medicações de uso local, sob a forma de loção, creme ou gel, controlam bem o quadro e devem ser usadas continuamente, mesmo quando se obtiver melhora, para manutenção do resultado.

Deve-se evitar o uso de roupas apertadas, tecidos sintéticos e de produtos gordurosos nos locais afetados. As manchas escuras tendem a diminuir com o controle da doença e podem obter melhora com o uso de despigmentantes indicados pelo médico dermatologista.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Alergia à Picada de Inseto 2

Sempre que um inseto pica a nossa pele para sugar nosso sangue, um pouco da sua saliva e de algumas substâncias (como anticoagulantes) entram em contato com o nosso organismo e portanto com os nossos mecanismos de defesa. Ocorre então, em resposta à este contato, a liberação de algumas substâncias que promovem o inchaço, vermelhidão e coceira no local (entre elas, a mais conhecida é a histamina). A quantidade liberada relaciona-se à susceptibilidade individual e ao tipo de inseto que picou; alguns insetos como borrachudos, por exemplo, costumam promover uma maior reação alérgica local à picada. Outros insetos, como abelhas e vespas, podem inocular substâncias que provocam fortes reações e causam muita dor no local da picada.

A alergia à picada de insetos que é mais comum é aquela que ocorre nas crianças pequenas, caracterizada pelo aparecimento de "bolinhas" vermelhas pelo corpo da criança, normalmente próximas ao local de uma picada de inseto. Este tipo de alergia, chamado Estrófulo, é totalmente benigno mas pode causar incômodo pela coceira que provoca. Pode ocorrer ainda a infecção de pele como complicação da coçadura mais insistente, que produz machucados na pele. Cobrir a pele o máximo possível, com roupas, nos locais onde se sabe haver grande incidência de pernilongos, formigas, etc.


A reação de uma picada de inseto varia entre pessoas. Uma reação normal se trata de um pouco de dor, a pele fica um pouco inchada e vermelha ao redor da picada. Simplesmente desinfete a área da picada, lavando com água e sabão, e coloque um pouco de gelo para reduzir inchaço. Algumas vezes o inchaço pode ter o dobro do tamanho dependendo em que parte do corpo a picada ocorreu. Um exemplo: se a picada for na área sensível do antebraço, o inchaço e a dor será maior. Mesmo sendo a aparência mais alarmante, o tratamento é o mesmo. Mas porque esta condição talvez persistirá por mais de dois ou três dias, anti-histamínicos e corticosteróides são dados por um médico para diminuir o desconforto.Abelhas picam deixando um ferrão na pele de suas vítimas. Se isto acontecer com você, não a puxe com as unhas ou qualquer instrumento, pois isto levara a que mais do veneno do ferrão seja injetado dentro da pele. Pegue uma toalha ou sua camisa e passe com força sobre o ferrão e lave a área com água e sabão. Bolhas de pus são muito comuns de 8 à 24 horas após uma picada de formiga. Para não permitir uma infecção bacteriana, não fure a bolha de pus, mesmo sendo tão desconfortável. Também furando estas bolhas podem causar cicatrizes na pele. Vários cremes de corticosteroides ou antihistaminicos orais são muito eficientes.

Uma reação alérgica de uma picada de inseto e extremamente perigosa, e exige atenção médica imediata. Sintomas de uma reação alérgica incluem um ou mais dos seguintes:
Manchas, coceiras, e inchaços em outras áreas do corpo além da área picada pelo inseto.
Aperto no peito, e dificuldades para respirar.
Mudança na voz.
Inchaço da língua.
Uma reação anafilática, pode ocorre minutos após uma picada. É um caso de vida ou morte.
Como sintomas de uma reação anafilática, temos:Tonteira.Baixa de pressão sangüínea.Desmaio.Parada cardíaca.
Pessoas que tiveram uma reação alérgica a uma picada de um inseto, tem 60 por cento de chance de terem a mesma reação alérgica ou até pior, se forem picados novamente.
As reações anafiláticas são tratadas em duas etapas.
* Primeiro: um tratamento de emergência dos sintomas com o uso de drogas, como adrenalina, anti-histaminicos, corticosteróides, fluídos intravenosos, oxigênio, e outros tratamentos. Quando o paciente estiver estabilizado, deverá ficar uma noite no hospital sob observação.
* Segundo: um tratamento chamado Imunoterapia, deverá ser usado para prevenção de recorrências.
Um remédio chamado adrenalina é levado para onde o paciente for, para que se a reação ocorrer novamente, esta pessoa esteja preparada para retardar o início dos sintomas, dando mais tempo para conseguir atenção médica qualificada, prevenindo com isso reações fatais.

Imunoterapia :

É um tratamento de longo prazo, com vacinas administradas por um alergista e imunologista, para prevenção de futuras reações alérgicas a picadas de insetos.A Imunoterapia envolve a administração de uma pequena quantidade do veneno, para estimular o sistema imunológico do paciente, reduzindo o risco de reações alérgicas em exposições subseqüentes. Em semanas ou meses, pessoas que estavam em constante perigo de reações alérgicas a picadas de insetos, podem voltar a uma vida normal, graças a Imunoterapia.Peça a seu médico para te referir a um Alergista e Imunologista, que é um especialista em diagnóstico e tratamento de doenças alérgicas. Baseando em seu histórico médico, e alguns testes, o Alergista determinará se você é um candidato a imunoterapia.

Prevenção :

Sabendo como prevenir picadas de insetos, levará ao maior aproveitamento do verão. A maioria dos insetos estão mais ativos no verão, e o início do outono. Tenha cuidado com os lixos que estão na rua, piqueniques, florestas, e tente reduzir o máximo possível, o estar com a pele descoberta quando estiver em lugares onde insetos estão ativos.

Recomendações :

Evite o uso de sandalhas em gramados. Muitas insetos habitam no gramado.
Nunca faça nenhum movimento brusco quando um inseto estiver em você. Espere com paciência até que o inseto saia.
Nunca beba de uma garrafa aberta na rua, pois os insetos são atraídos pela bebida doce.
Quando estiver comendo na rua, cubra a comida em todos os momentos.
Sempre lacre os lixos .
Evite o uso de perfumes, desodorantes, e qualquer outro aroma doce no verão, e no início do outono.
Evite o uso de roupas muito coloridas.
Tenha muito cuidado quando estiver trabalhando em seu quintal.
Use redes nas janelas da casa, e sempre fique com as janelas do carro fechadas.
Esteja preparado com remédios para o uso contra reações alérgicas.
Se você já teve uma reação alérgica a uma picada de inseto, por favor veja um Alergista e Imunologista

Ceratose Seborréica

A ceratose seborréica é um tumor benigno da pele. Aparece principalmente a partir da meia idade sendo bastante frequente em pessoas idosas. A formação das lesões deve-se a uma tendência genética.


As lesões aparecem principalmente na face e no tronco. São arredondadas ou ovalares, de coloração marrom ou negra. Inicialmente planas, tornam-se elevadas e podem adquirir grande dimensão. Sua superfície é irregular e sua consistência é mole e friável (alguns pedaços da lesão soltam-se com facilidade), de aspecto verrucoso. O número de lesões pode variar de poucas a centenas.

Tratamento :

O tratamento não é obrigatório pois as ceratoses seborréicas são lesões benignas, mas pode ser feito através da destruição pela cauterização química, eletrocoagulação ou criocirurgia com nitrogênio líquido, devendo ser realizado por um médico dermatologista.

Úlcera Venosa ou Úlcera de Estase

Ferida que surge nas pernas e/ou pés em consequência da dificuldade do sangue voltar para o coração. Tal dificuldade surge por uma incompetência das veias das pernas em levar o sangue para cima. A doença está relacionada, principalmente, a uma tendência genética.
Entretanto, esta dificuldade irá se manifestar mais precocemente em indivíduos sedentários, obesos ou que permanecem longos períodos em pé ou sentados. É também muito frequente em trabalhadores da aviação.

As úlceras são feridas abertas e fundas nos membros inferiores, em geral pouco dolorosas, que demoram muito para cicatrizar. Localizam-se preferencialmente sobre os ossos dos tornozelos e costumam surgir após leves traumatismos. Forma-se uma pequena ferida que não cicatriza e vai gradativamente aumentando de tamanho.

Comumente estão acompanhadas de varizes, inchaço e manchas marrons nas pernas. Pode haver inflamação, com vermelhidão e presença de secreção purulenta (pus).
Também é comum existirem áreas de alergia ao redor das feridas. É o eczema de estase, que forma placas avermelhadas, descamativas e com coceira.




Tratamento :

O mais importante são as medidas gerais. Procurar movimentar as pernas e pés o máximo possível é fundamental. O simples movimento de contrair os dedos dos pés repetidamente ajuda muito a fazer o sangue fluir perna acima. Atividades físicas como caminhar, pedalar e nadar são excelentes. A musculação não está indicada.

O uso de meias elásticas é outra medida de grande importância. Estas devem ser calçadas ao acordar, de preferência antes de sair da cama. Antes de dormir, elas devem ser removidas. Existem vários tipos de meias elásticas. A de compressão suave ajuda muito pouco e é recomendada apenas como "adaptação" para as de média e forte compressão. Meias elásticas não podem ser utilizadas sem indicação médica. Alguns tipos de úlceras das pernas, como as úlceras hipertensivas, podem se agravar com o uso delas.

É importante permanecer o máximo de tempo possível com as pernas elevadas. Utilizar uma almofada abaixo dos calcanhares quando for se deitar, ler ou assistir televisão, é uma ótima medida. Esta elevação não precisa ser exagerada. Basta estar acima do nível do coração.

A maior parte das pessoas irá melhorar apenas com estas medidas. Curativos são úteis e devem ser orientados pelo médico. Hoje em dia existem várias opções de curativos que muito aceleram a cicatrização destas úlceras, se as medidas gerais forem rigorosamente cumpridas.

Apesar de cremes antibióticos ainda serem regularmente prescritos por muitos médicos, estes estão cada vez mais caindo em desuso pela resistência bacteriana que causam e pelos estudos não evidenciarem benefícios com eles. Antibióticos orais só devem ser receitados em casos de infecção comprovada ou forte suspeita. Erisipela é frequente nestes pacientes. É um quadro grave que deve ser tratado com antibióticos sistêmicos o mais rapidamente possível.


Medicamentos vasodilatadores periféricos podem ser utilizados, porém com resultados variados. Remédios que visam "afinar" o sangue também podem ser úteis.

Em resumo, o combate à obesidade e ao sedentarismo, o uso de meias elásticas, quando indicado, e as medidas gerais como um todo são as principais armas para o combate das úlceras venosa.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Erisipela

Erisipela é um processo infeccioso cutâneo, podendo atingir a gordura do tecido celular subcutâneo, causado por uma bactéria que se propaga pelos vasos linfáticos. Pode ocorrer em pessoas de qualquer idade, mas é mais comum nos diabéticos, obesos e nos portadores de deficiência da circulação venosa dos membros inferiores. Não é contagiosa.


A erisipela ocorre porque uma bactéria (um Estreptococo) penetra numa pele favorável à sua sobrevivência e reprodução. A porta de entrada quase sempre é uma micose interdigital (as famosas “frieiras”), mas qualquer ferimento pode desencadear o mal. A pele mais favorável é a das pernas inchadas, principalmente nos pacientes diabéticos, obesos e idosos.

Os primeiros sintomas podem ser aqueles comuns a qualquer infecção: calafrios, febre alta, astenia, cefaléia, mal-estar, náuseas e vômitos. As alterações da pele podem se apresentar rapidamente e variam desde um simples vermelhidão, dor e edema (inchaço) até a formação de bolhas e feridas por necrose (morte das células) da pele.A localização mais freqüente é nos membros inferiores, na região acima dos tornozelos, mas pode ocorrer em outras regiões como face e tronco. No início, a pele se apresenta lisa, brilhosa, vermelha e quente. Com a progressão da infecção, o inchaço aumenta, surgem as bolhas de conteúdo amarelado ou achocolatado e, por fim, a necrose da pele. É comum o paciente queixar-se de “íngua” (aumento dos gânglios linfáticos na virilha).

O diagnóstico é feito apenas pelo exame clínico, analisando os sinais e sintomas apresentados pelo paciente. Não há necessidade de nenhum exame de sangue ou de outro exame especial da circulação, a não ser para acompanhar a evolução do paciente.
Quando o paciente é tratado logo no início da doença, as complicações não são tão evidentes ou graves. No entanto, os casos não tratados a tempo podem progredir com abscessos, ulcerações (feridas) superficiais ou profundas e trombose de veias.A seqüela mais comum é o linfedema, que é o edema persistente e duro (não forma uma depressão na pele quando submetido à compressão com os dedos), localizado principalmente na perna e no tornozelo, resultante dos surtos repetidos de erisipela.
TRATAMENTO :
O tratamento consta de várias medidas realizadas ao mesmo tempo e só deve ser administrado pelo médico:
1 – Uso de antibióticos específicos para eliminar a bactéria causadora.
2 – Redução do inchaço, fazendo repouso absoluto com as pernas elevadas, principalmente na fase inicial. Pode ser necessário o enfaixamento da perna para diminuir o edema mais rapidamente.
3 – Fechamento da porta de entrada da bactéria, tratando as lesões de pele e as frieiras.
4 – Limpeza adequada da pele, eliminando o ambiente adequado para o crescimento das bactérias.
5 – Uso de medicação de apoio, como antiinflamatórios, antifebris, analgésicos e outras que atuam na circulação linfática e venosa.
PREVENÇÃO :
As crises repetidas de erisipela podem ser evitadas através de cuidados higiênicos locais, mantendo os espaços entre os dedos sempre bem limpos e secos, tratando adequadamente as frieiras, evitando e tratando os ferimentos das pernas e tentando manter as pernas desinchadas.Deve-se evitar engordar, bem como permanecer muito tempo parado, em pé ou sentado.O uso constante de meia elástica é uma grande arma no combate ao inchaço, bem como fazer repouso com as pernas elevadas sempre que possível.Procurar um especialista quando apresentar qualquer dos sintomas iniciais da doença, relatados anteriormente.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Alergia a Camarão


A alergia ao camarão e aos frutos do mar é mais comum nos adultos e pode se manifestar de formas variadas, desde uma simples coceira até quadros de emergência como o caso retratado na novela.
A reação alérgica ocorre porque o organismo reage ao alimento com produção de um anticorpo, chamado de imunoglobulina E (IgE), que ataca uma proteína contida nele, originando os sintomas da alergia, em minutos ou em algumas horas após a ingestão do alimento.
A maior parte destas reações a camarão tende a ser leve ou moderada, sendo os sintomas mais comuns a coceira, placas vermelhas na pele, mal estar, inchação em olhos, lábios, boca, garganta. Em alguns casos mais raros, pode evoluir de forma grave surgindo uma reação extrema chamada de anafilaxia (popularmente conhecida como choque anafilático), que envolve diversos sistemas do organismo: circulatório, respiratório, imunológico, resultando numa reação grave e necessitando de atendimento de emergência. Neste caso, a pessoa pode apresentar urticária, vermelhidão na pele, chiado no peito e cansaço, tosse, espirro, náusea, dor abdominal, vômitos e coceira no corpo, dificuldade para respirar, queda na pressão arterial, podendo ameaçar a vida.

O camarão é um pequeno crustáceo aquático que pode ser marinho ou de água doce e pertence à ordem Decapoda, à qual pertencem também as lagostas e os caranguejos. Segundo o Wikipédia, a maioria dos crustáceos são organismos marinhos, como as lagostas, camarões e as cracas e percebes, tatuís ou Emerita brasiliensis (que vivem enterrados nas areias das praias do Brasil), os siris e os caranguejos, mas também existem crustáceos de água doce, como a pulga da água (Daphnia) e o camarão do Rio São Francisco no estado da Bahia(Brasil)e mesmo crustáceos terrestres como o bicho-da-conta e o tatuzinho de jardim que habita as terras brasileiras. Existem ainda várias outras espécies de crustáceos aquáticos que têm no seu nome a palavra camarão, mas pertencem a grupos diferentes, tais como os camarões-de-concha (ordem Conchostraca) e os camarões-girinos (ordem Notostraca). Por outro lado, os camarões comerciais são também conhecidos por outros nomes, tais como gamba ou lagostim (os de grandes dimensões, como o "camarão-tigre-gigante", Penaeus monodon, que pode atingir cerca de 35 cm de comprimento e um peso de cerca de 500 g – que são as dimensões médias dos verdadeiros lagostins).
Diagnóstico:
Se uma pessoa tem suspeita de ser alérgica a camarão deve procurar um médico especialista em Alergia que irá analisar sua história clínica, a reação apresentada e realizará testes para comprovar o diagnóstico.
Os testes são realizados pelo especialista utilizando bateria padronizada de alimentos por método de puntura realizado no antebraço e o resultado é imediato, após 15 a 20 minutos. A resposta positiva indica a presença da IgE (imunoglobulina E) para o alimento.Em algumas pessoas, pode-se utilizar também a dosagem da IgE específica para camarão feita no sangue e realizada em laboratórios especializados.
Considerações sobre a alergia a camarão :
- A alergia ao camarão não surge no primeiro contato e por isso, a pessoa pode ingerir o alimento por diversas vezes antes de apresentar a alergia.
- Quem manifesta alergia a camarão, tende a fazer também para outros crustáceos e por isso deve evitar não só o camarão como também siri, lagosta, mariscos, entre outros. Em geral, não há problema na ingestão de peixes.
- Algumas pessoas são muito sensíveis e reagem mesmo com pequenas quantidades do alimento ou até à simples inalação durante o cozimento.
- A presença de alergia a camarão não significa que obrigatoriamente a pessoa terá alergia ao iodo.
- A Quitosana é um produto usado para emagrecimento, obtido através do exoesqueleto de crustáceos como camarão, caranguejo e lagosta e não deve ser usada sem orientação médica em pacientes sensíveis ao camarão.
- A tropomiosina (proteína do camarão) pode ser encontrada em ácaros e em baratas. Por isso, pode ocorrer uma reatividade cruzada entre ácaros, baratas e camarão.
- Algumas reações catalogadas como reações alérgicas a peixes e mais raramente ao camarão devem ser diferenciadas da reação alérgica ao Anisakis simplex, um parasita de mamíferos do mar. O homem ao adquirir a larva deste parasita através da ingestão de peixes crus ou mal cozidos pode apresentar sintomas gastrointestinais. Entretanto, são descritos casos de alergia com surgimento de urticária e até anafilaxia. Nestes casos, apesar da história de reação alérgica após a ingestão de peixe, os testes são negativos e a IgE específica para peixe não é detectada.
Tratamento:
Como não há um medicamento que atue neste processo, o tratamento consiste no afastamento do alimento. Desta forma, o paciente deve evitar a ingestão de camarão e alimentos sob qualquer forma e em qualquer quantidade.

Melanose Solar ( "Mancha Senil" )

Mancha Senil é uma mancha solar que,na verdade, estas manchas não são provocadas pela idade e sim pelo dano causado pelo sol ao longo dos anos. Como o resultado da ação do sol só vai aparecer com o passar do tempo, as melanoses solares são mais comuns em pessoas de idade. Daí o nome "mancha senil


Basta olhar a pele da região das axilas ou a parte interna dos braços, que ficam protegidas do sol, e ver que, apesar de terem a "mesma idade" que a pele afetada pela melanose solar, ali não se encontram as manchas.

As melanoses solares são manchas escuras, de coloração castanho a marrom, geralmente pequeninas mas que podem chegar a alguns centímetros de tamanho. Elas surgem apenas nas áreas que ficam muito expostas ao sol, como a face, o dorso das mãos e dos braços, o colo e os ombros. São mais frequentes em pessoas de pele clara.


O dano solar acumulado ao longo dos anos induz ao aumento do número de melanócitos (célula que produz o pigmento que dá cor à pele) e da sua atividade, produzindo mais melanina e escurecendo a pele.

Prevenção e tratamento:

O ideal é a prevenção do surgimento das manchas, que deve ser feita através do uso de proteção solar nas áreas continuamente expostas ao sol, onde as manchas se manifestam. Não é apenas o sol da praia ou piscina, mas também o sol do dia a dia, que paulatinamente vai danificando as células que, no futuro, vão sofrer alterações e dar origem às manchas.

O tratamento pode ser feito de várias maneiras, como a cauterização química, a criocirurgia, a dermoabrasão, os peelings químicos e o uso do laser. Os resultados costumam ser bons, desde que a técnica seja empregada de forma adequada. O exagero na aplicação pode deixar manchas claras ou até mesmo cicatrizes residuais. O profissional treinado para estes tratamentos é o médico dermatologista.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Sinusite


A palavra sinusite significa inflamação (“ite”) dos seios da face (“sinus”). É uma doença comum, tanto em crianças como em adultos, podendo ser causada por diversos mecanismos: infecciosos, alérgicos, etc. Dados estatísticos afirmam que em cada 100 pacientes que sofrem de rinite alérgica, cerca de 70 têm ou virão a ter também sinusite alérgica. A sinusite é portanto uma complicação comum da rinite alérgica e o termo Rinossinusite alérgica é atualmente mais empregado, pois explica melhor esta íntima relação.

A sinusite é chamada de aguda quando é de início recente (cerca de 4 semanas) e de sinusite crônica, quando é antiga e já persiste há mais de 12 semanas. A sinusite pode se repetir em diversas ocasiões e neste caso é chamada de sinusite recorrente.

A cavidade nasal é constituída por vários ossos do crânio e da face, dispostos lado a lado.
Os ossos:
-frontal (na testa), maxilares (na região das bochechas, à direita e à
esquerda) e o osso esfenóide são ocos e suas cavidades são chamadas de seios da face
ou seios paranasais: seios frontais, seios maxilares e seios esfenoidais.
O osso etmóide também faz parte deste conjunto, possuindo pequenas escavações chamadas células etmoidais.

Os seios da face servem para dar ressonância à voz, circular o ar inspirado e diminuir o peso do crânio, facilitando na sua sustentação. Os seios da face se comunicam com a cavidade nasal por pequenos orifícios chamados de óstios ou orifícios de drenagem. Estes óstios precisam estar livres, ou seja, permeáveis, para que o ar circule adequadamente. Quando se obstruem, a secreção fica estagnada, o que favorece a infecção. Em crianças os óstios são pequenos, finos e tendem mais a obstruir, facilitando o aparecimento de sinusites repetidas.

A membrana que forra a cavidade nasal, chamada de mucosa nasal se continua e também forra o interior dos seios da face, onde passa a se chamar mucosa sinusal. Por isso, quando a mucosa nasal se inflama na rinite alérgica, pode se propagar para a mucosa sinusal e ocasionar a sinusite.


Sintomas da sinusite:

Muita gente acha que sinusite provoca sempre dor de cabeça e isto não é verdade: a dor é mais comum apenas nos casos agudos e recentes. Nas sinusites crônicas o sintoma principal é a tosse, em geral seca, persistente, ocorrendo em acessos com piora à noite,
ou pela manhã, ao acordar.
A tosse surge como conseqüência de secreção que escorre do nariz em direção à faringe e que termina por irritar as vias respiratórias. A piora noturna se dá porque a posição deitada favorece este “gotejamento pós-nasal” e resulta na tosse.
Outros sintomas que podem ocorrer são:
- obstrução nasal,
- coriza (secreção) de aspecto catarral,
- sensação de pressão ou de peso na face,
- alteração de paladar e olfato,
- alteração da voz,
- halitose,
- mal estar.

Diagnóstico

O diagnóstico da sinusite é clínico, ou seja, baseada na avaliação e no exame físico feitos pelo médico. A mucosa das narinas mostra-se irritada, avermelhada, incluindo a região do septo nasal e os cornetos, que aumentam seu tamanho. Observa-se também a presença de secreção nasal e de secreção pós-nasal, em geral de aspecto purulento em orofaringe. A face pode estar dolorosa à palpação feita pelo médico.
Radiografia dos seios da face: é um exame simples e de baixo custo, útil na detecção da sinusite. Na criança, é possível avaliar os seios maxilares e as células etmoidais. Os seios frontais são serão visíveis após os 7 anos e os seios esfenoidais após os 9 anos de idade. Entretanto, a interpretação da radiografia deve ser feita de forma cuidadosa. Por exemplo, o laudo pode descrever um “espessamento mucoso de seios maxilares” e o paciente não ter sinusite, mas sim apenas sintomas da rinite e significar tão somente uma inflamação.
Tomografia dos seios da face: indicada para esclarecer dúvidas da radiografia simples. Auxilia também na avaliação dos óstios, de alterações anatômicas, para detectar pólipos nasais e/ou outros problemas que poderão agravar a rinossinusite alérgica.
Endoscopia nasal: exame feito pelo otorrino utilizando fibras ópticas rígidas ou flexíveis, normalmente com anestesia local, têm importante papel no diagnóstico das rinossinusites.
Ultra-sonografia: restrita a casos raros, como por exemplo gestantes, pela dificuldade em atravessar paredes ósseas, sendo mais nítida apenas para os seios maxilares e frontais.
Ressonância magnética: não é indicada no diagnóstico da rinossinusite alérgica.
Testes alérgicos: são realizados pelo médico alergista no antebraço do paciente com bateria padrão de antígenos inalantes. Tem resultado imediato e são úteis para confirmar a natureza alérgica do processo, para a orientação preventiva e para a escolha do tratamento.

Rinossinusite alérgica e asma

Cerca de 80% dos asmáticos têm rinite. A mucosa respiratória é contínua: se existe um processo inflamatório ao nível do nariz e seios paranasais, facilmente poderá envolver também as vias respiratórias inferiores. É comprovado também que o tratamento da rinossinusite melhora a asma e pode até mesmo prevenir o seu aparecimento. Da mesma forma, a melhora dos sintomas nasais também se reflete na asma, com redução de riscos, internações e atendimentos de urgência.

Tratamento

O tratamento da Rinossinusite é o mesmo da rinite alérgica, pois como já foi dito, são doenças consideradas em conjunto. Nos casos onde a infecção se associa, é necessário o uso de antibióticos, em geral por 14 dias. O uso prolongado é importante e necessário para que se consiga a resolução do quadro, evitando-se recidivas.
É necessário também o uso de anti-histamínico e corticosteróides,além de uma imunoterapia específica.
Procure seu Alergologista para orientação,prevenção das complicações,diagnóstico e tratamento.