quinta-feira, 29 de julho de 2010

Quando a pele coça, é alergia?



Quem nunca sentiu vontade de se coçar? Uma coceirinha até que é uma boa sensação ...
A coceira inspirou Marcos Caruso a escrever uma peça teatral que citada no “Guiness” como a mais longa temporada em cartaz e que depois se transformou num filme de sucesso: “Trair e coçar é só começar”.

Coceira (ou Prurido) é a sensação na pele que leva ao desejo de coçar em busca de alívio. A palavra prurido deriva do latim pruritus e significa comichão, coceira. É descrita coceira em quase todos os vertebrados terrestres e pode variar desde formas leves, sel lesões aparentes na pele até formas graves, acompanhadas de escarificação e mutilações.

O Prurido é um sintoma subjetivo, ou seja, é uma sensação particular, variando em cada indivíduo e inerente às suas condições pessoais. É um sinal de que algo ocorreu para deflagar o sintoma. A coceira é comandada pelo sistema nervoso e tem um mecanismo muito similar ao da dor, indicando a presença de um fator irritante que ocasiona o sintoma e que necessita ser removido e controlado.

Chama-se de prurido simples quando não há presença de lesões aparentes na pele. Ao coçar, produz-se a coçadura, que quando é feita de forma suave, extingue o sintoma sem deixar marcas. Mas, com o passar do tempo, a repetição do ato de coçar pode levar ao aparecimento de escoriações, manchas e engrossamento da pele.

É comum que as pessoas pensem que se a pele coça, deve ser uma alergia. Mas, este conceito cai por terra quando estudamos o universo deste sintoma, que pode surgir por inúmeras causas. È possível coçar porque a pele está ressecada como também refletindo doenças ou exprimindo dificuldades emocionais.

Roberto Lent, cientista da UFRJ em sua coluna publicada na revista Ciência Hoje em fevereiro de 2007, relata uma experiência curiosa realizada com voluntários que assistiam a uma conferência sobre a coceira, na qual se apresentavam transparências presumivelmente pruritogênicas (fotos de pulgas, pele arranhada, reações alérgicas), e depois fotos relaxantes, indutoras de bem-estar (crianças com a pele suave, almofadas fofas, pessoas tomando banho). Durante a conferência, o público era filmado por inúmeras câmeras posicionadas estrategicamente no auditório e a análise do filme feita posteriormente revelou que o público se coçou mais durante a palestra e na exibição das transparências pruritogênicas do que durante as relaxantes, sugerindo uma forte indução psicológica.

Doenças alérgicas que causam prurido:

- Reações alérgicas a medicamentos
- Dermatite Atópica
- Urticária
- Eczema de Contato
- Reações a alimentos
- Reações a agentes físicos: calor, frio, suor, etc.
Caso você tenha alguma alteração cutânea ou coceira, procure um médico alergista que irá analisar seu caso e detecar a causa, se é alérgica.

Entretanto, é importante lembrar que inúmeras condições e doenças podem causar prurido. Uma situação sem gravidade mas que pode se tornar incômoda é a coceira ocasionada pelo ressecamento da pele, que pode ocorrer em qualquer pessoa, mas em especial nos idosos, nos portadores de atopia ou em situações específicas.

O ressecamento cutâneo tende a coçar porque há um desequilíbrio no manto gorduroso que encobre a pele ocasionando menor proteção e maior facilidade de irritação, desencadeando a coceira. Por isso é muito importante hidratar a pele através de cuidados simples no banho diário, como o uso de sabonetes apropriados e afastamento dos fatores irritantes como a água quante, buchas e esponjas. Além disso, a utilização diaria e logo após o banho de um hidratante, aliado à ingestão hídrica adequada contribuirão para amenizar o problema.

Doenças que podem provocar prurido cutâneo:

- Doenças do Fígado: podem provocar acúmulo de sais biliares e provocar coceira incômoda, difícil de tratar e que não responde bem ao uso de antialérgicos (antihistamínicos).
- Diabetes
- Doenças do Rim, decorrentes da dificuldade na filtragem renal e aumento de substâncias no sangue que levam à coceira.
- Fatores hormonais: gravidez, menstruação.
- Doenças endócrinas
- Infecções: viroses como a catapora, por exemplo, se acompanham de coceira intensa. A escabiose (sarna) é uma parasitose que provoca coceira.
- Intoxicações por álcool e cocaína.
- Verminoses – oxiúros, por exmplo, se alojam no intestino e provocam coceira no ânus.
- Psicoses e psiconeuroses
- Outros.

Se você tem um prurido persistente, que não melhora, procure um médico para detectar a causa e indicar um tratamento adequado. Cremes e pomadas caseiras podem mascarar o quadro e piorar o problema.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Refluxo Gastroesofágico



No processo de digestão normal, o alimento é engolido através da boca, passa pelo esôfago em direção ao estômago onde sofre a ação das enzimas digestivas e é misturado ao conteúdo ácido do local.
Entre o esôfago e o estômago existe uma ligação, que é o chamado “Esfíncter Esofagiano Inferior” que funciona como uma verdadeira barreira. O esfíncter abre-se para o alimento passar e depois fecha, impedindo que o alimento volte. Entretanto, quando esta barreira não funciona bem, permite que uma parte do alimento, já misturado com o conteúdo ácido do estômago, volte para o esôfago, gerando o refluxo.

Refluxo não é doença: por isso os bebês golfam e qualquer pessoa pode arrotar ou ter azia quando come em excesso.



Como acontece o refluxo?

No momento do refluxo, ocorre a entrada no esôfago de material proveniente do estômago. Como o esôfago não possui mucosa apropriada para contato com esse material ácido, surgem os sintomas, em especial a azia e a queimação..

Quais os fatores que podem piorar o refluxo?

- Situações que aumentem a pressão intra-abdominal como por exemplo, esforços físicos, obesidade ou na gravidez.
- Aumento da pressão intra-gástrica como refeições volumosas acompanhada de ingestão de líquidos excessivos, principalmente gasosos;
- Ingestão de alimentos com efeito relaxante no esfíncter esofagiano inferior como café, álcool, chocolate, entre outros.
- Tabagismo.
- A posição deitada pode favorecer o refluxo.

Quais os sintomas da doença do refluxo?

O problema surge quando o refluxo normal se complica e se transforma em doença. Neste caso, os sintomas mais comuns são: azia, regurgitação(arrotos), dor, sensação de má digestão, náuseas ou vômitos. Em alguns casos a dor pode ser tão intensa a ponto de se confundir com a dor de um infarto.
Entretanto, existem sintomas “à distância” que também surgem em conseqüência do refluxo, como por exemplo, uma tosse com piora noturna.
Nas crianças, o refluxo pode ocasionar prejuízo no desenvolvimento e no ganho de peso, bem como pneumonias, otites repetidas, asma e síndrome de apnéia.
No entanto, o refluxo pode ser silencioso, ou seja, não ter sintomas aparentes, o que pode dificultar o reconhecimento do problema.

Qual a relação entre a doença do refluxo e sintomas respiratórios?

A doença do refluxo gastroesofágico pode causar também sintomas respiratórios e otorrinolaringológicos à distância, como por exemplo: tosse, rouquidão, asma, pneumonias repetidas, pigarro.

Por que é importante tratar o refluxo?

È comprovado que o tratamento do refluxo pode resultar na melhora da asma, da tosse crônica e de outros problemas respiratórios. Muitos pacientes após o correto tratamento da doença do refluxo experimentam alívio das crises e conseguem diminuir a medicação utilizada para controle da asma.

Tratamento

O tratamento do refluxo pode ser feito com remédios, mas alguns cuidados são fundamentais para tratar a doença, com finalidade de dificultar a ocorrência do refluxo.

Medidas para combater o refluxo:

- Não deitar ou recostar após as refeições.
- Crianças, em qualquer idade, jamais devem mamar deitadas. Esperar pelo menos uma hora para deitar após mamar.
- Não fumar
- Evitar alimentos irritantes, como: gorduras, frituras, refrigerantes (em especial do tipo cola), bebidas alcoólicas, hortelã, chocolates, sucos cítricos, café.
- Fazer refeições leves com intervalos curtos e regulares Por exemplo, comer de 4/4 horas é melhor do que ficar muito tempo sem se alimentar e comer muito de uma só vez.
- Evitar fazer grandes refeições à noite.
- Comer devagar, mastigando bem, sem líquidos acompanhando refeições.
- Controlar o peso corporal.
- Elevar a cabeceira da cama em 15cm.

Medicamentos: devem ser utilizados apenas com orientação médica

Ronco



Roncar pode parecer apenas um barulho que incomoda quem está dormindo ao lado.

No entanto, ronco é um problema complexo que pode causar ruídos de intensidade similar aos de uma esquina barulhenta. Pode ter graves reflexos no casamento e no relacionamento social, além de ser sinal de obstrução respiratória com sérias repercussões ao organismo. Por não conseguir aprofundar o sono, o roncador tem sonolência durante o dia e redução no rendimento psíco-intelectual, por ter reduzido a saturação de oxigênio no sangue. Além disso, o ronco pode se associar à hipertensão arterial e a problemas cardiovasculares.

A causa mais comum entre os roncadores é a obesidade, sem querer dizer que o problema é exclusivo dos gordinhos. Os magros também têm motivos para roncar.

Mas, o ronco não tem uma, mas sim múltiplas causas. Na maioria das vezes, se associa com obstrução das vias respiratórias e conseqüente vibração dos tecidos moles gerando aparecimento do ruído. Portanto, cada indivíduo ronca por um somatório diferente dessas inúmeras causas.

O fato é que, para respirarmos, precisamos expandir os pulmões contra a pressão positiva do abdome, resultante do gás do tubo digestivo. Para isso, contamos com a ajuda da musculatura respiratória (diafragma, músculos intercostais, abdominais, etc.). Quando estamos em pé, ainda contamos com auxílio da gravidade, mas deitados, dependemos exclusivamente da musculatura. Assim, nos obesos, com flacidez muscular, gordura abdominal e muitos gases no tubo digestivo, o esforço respiratório é muito maior. O quadro pode ser agravado após refeições copiosas antes de deitar; em situações de stress ou com a ingestão de bebidas alcoólicas, que tendem a relaxar a musculatura em geral.

Esse esforço respiratório soma-se ao estreitamento das vias respiratórias,
que pode ocorrer em vários níveis do nariz, como por exemplo:
alergias respiratórias, desvios do septo, hipertrofia das amígdalas, etc.
Fatores relacionados à faringe, como flacidez do véu do paladar, hipertrofia da úvula ou “campainha”, aumento de amígdalas, também contrinuem. Cita-se ainda: produção excessiva de secreções, problemas da mandíbula, de oclusão dentária e ainda nos pulmões (fumo, bronquites), etc.

O estreitamento pode ocorrer em diferentes graus, variando de formas leves até formas graves, podendo levar à apnéia, paradas momentâneas da respiração, geralmente por colapso do véu palatino ou queda da língua sobre a parede da faringe num mecanismo valvular. Pacientes com apnéia intensa podem necessitar de respiradores de pressão positiva para dormir, evitando-se a falência do sistema cardio-circulatório.

Alguns casos, como desvios do septo, sinusites crônicas, polipose nasal e aumento das amígdalas e adenóides podem ser tratadas cirurgicamente. A plástica da úvula e do véu do paladar, conhecida como “cirurgia do ronco”, pode ser útil em muitos casos, removendo o excesso de tecido muscular e gorduroso, responsável pela vibração e aparecimento do ruído durante a respiração.

É importante entender que o tratamento do ronco é na realidade um “pacote” de medidas, que incluem emagrecimento, mudança de hábitos, abolir álcool e fumo, atividade física rotineira e tratamento clínico dos fatores coadjuvantes.

Cabe ao paciente conhecer a sua doença e ter o propósito de melhorar, controlando doenças paralelas, como a “preguicite aguda” e a “falta de tempo para si mesmo”. Cabe ao médico, utilizar os recursos diagnósticos para analisar cada caso, oferecendo as melhores alternativas para tratamento do ronco.

Este texto é de autoria do Dr. Fernando Gosling, médico otorrinolaringologista (gosling@otoclínica.com).

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Novos anticoncepcionais podem reduzir acne e inibir celulite

Os anticoncepcionais sempre tiveram apenas uma finalidade, a de evitar a gravidez. Entretanto uma nova geração de contraceptivos está reunindo outras funções, já que em sua composição há substâncias que, de alguma maneira, agem como um tratamento de beleza. Além de promoverem a redução de cravos e espinhas, o controle da oleosidade da pele, a diminuição dos "pelinhos" indesejáveis no rosto e de darem mais brilho ao cabelo, os novos componentes também possuem ação diurética, ou seja, não causam retenção de líquidos --uma das causas do surgimento da celulite, principal queixa das usuárias dos contraceptivos comuns.

Até então, os contraceptivos orais usavam como base para provocar a anovulação --suspensão da ovulação-- os componentes estrogênico, progestogênico (hormônios femininos) e androgênico. Este último, um hormônio masculino, é o vilão dos anticoncepcionais, responsável por elevar a oleosidade da pele, além de causar retenção de líquidos.

Quando existe aumento do estímulo dos hormônios sexuais (os andrógenos, estrógenos e progestógenos) -por anticoncepcionais ou por disfunções orgânicas, por exemplo-, ocorre a elevação da produção das glândulas sebáceas, o que estimula a produção de pêlos, acne, seborréia, oleosidade e até queda de cabelo.

É nesse ponto que a nova geração de pílulas age, utilizando-se de substâncias antiandrogênicas, que reduzem esses efeitos colaterais, porém sem perder a eficácia para o fim a que é destinada: a contracepção.

Por enquanto são três os anticoncepcionais que possuem esse fator extra: o à base de desogestrel; de drospirenona; e de acetato de ciproterona, que, aliás, foi originalmente desenvolvido como um tratamento dermatológico, segundo o próprio fabricante.

Em tese, a pílula poderia até diminuir a celulite ou impedir sua proliferação, porém, se não houver a famosa dobradinha atividade física e alimentação regular, os efeitos serão insatisfatórios.

Gerações

As primeiras pílulas contraceptivas, desenvolvidas na década de 60, tinham em sua composição uma dosagem hormonal muito alta para gerar a anovulação. Isso,causava dor de cabeça e nas mamas e ainda provocava a retenção de líquidos, o que levou muitas mulheres a correrem dos anticoncepcionais pela probabilidade de ter celulite.

Então vieram os chamados anticoncepcionais de segunda geração, com menor taxa hormonal, porém ainda com forte tendência à retenção de água pelo organismo. Mas essa terceira geração tem como principal desvantagem o preço: pode chegar a R$ 60 a cartela de uso mensal. Como todo medicamento, tem sua compra restrita à prescrição médica.

Concluindo,o uso de anticoncepcionais de terceira geração melhoram as acnes ( mas não curam / requer tratamento conjunto ),diminui a oleosidade da pele,ajuda no controle da queda de cabelo ( mas não curam / requer tratamento conjunto ),não acumulam líquido ( não engordam ),controla o ciclo menstrual,consequentemente diminui as cólicas menstruais,previne contra câncer de colo de útero,previne e trata ovário policístico favorecendo uma possivel gravidez futura,melhorando de uma maneira geral vida das mulheres.

Candidíase Vulgovaginal

CONCEITO E AGENTES ETIOLÓGICOS

É uma infecção da vulva e vagina, causada por um fungo comensal que habita a mucosa vaginal e a mucosa digestiva, que cresce quando o meio torna-se favorável para o seu desenvolvimento; 80 a 90% dos casos são devidos à Candida albicans, e 10 a 20% a outras espécies chamadas não-albicans (C. tropicalis, C. glabrata, C. krusei, C. parapsilosis). Apresenta-se em duas formas: esporo e pseudo-hifa.

A relação sexual já não é considerada a principal forma de transmissão, visto que esses organismos podem fazer parte da flora endógena em até 50% das mulheres assintomáticas.

Os fatores predisponentes da candidíase vulvovaginal são:

- gravidez;

- diabetes melitus (descompensado);

- obesidade;

- uso de contraceptivos orais de altas dosagens;

- uso de antibióticos, corticóides ou imunossupressores;

- hábitos de higiene e vestuário inadequados (diminuem a ventilação e aumentam a umidade e o calor local);

- contato com substâncias alergenas e/ou irritantes (por exemplo: talco, perfume, desodorantes); e

- alterações na resposta imunológica (imunodeficiência).

CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS

Sinais e sintomas dependerão do grau de infecção e da localização do tecido inflamado; podem se apresentar isolados ou associados, e incluem:

- prurido vulvovaginal (principal sintoma, e de intensidade variável);

- ardor ou dor à micção;

- corrimento branco, grumoso, inodoro e com aspecto caseoso ("leite coalhado");

- hiperemia, edema vulvar, fissuras e maceração da vulva;

- dispareunia;

- fissuras e maceração da pele; e

- vagina e colo recobertos por placas brancas ou branco acinzentadas, aderidas à mucosa.

DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
Exame direto (a fresco) do conteúdo vaginal, que revela a presença de micélios birrefrigentes e/ou de esporos, pequenas formações arredondadas birrefringentes. A visualização dos fungos é facilitada adicionando-se KOH a 10% à lâmina a ser examinada.

Esfregaço corado do conteúdo vaginal (Papanicolaou, Gram, Giemsa ou Azul de Cresil).

Cultura: só tem valor quando realizada em meios específicos; deve ser restrita aos casos nos quais a sintomatologia é muito sugestiva e todos os exames anteriores sejam negativos; também é indicada nos casos recorrentes, para identificar a espécie de cândida responsável.

Teste do pH vaginal: é um teste simples e rápido, feito com uma fita de papel indicador de pH colocada em contato com a parede vaginal, durante um minuto; deve-se tomar cuidado para não tocar o colo, que possui um pH básico, o que pode causar distorções na interpretação; valores menores que 4 sugerem candidíase.

Observações:

O simples achado de cândida na citologia oncótica em uma paciente assintomática, não permite o diagnóstico de infecção clínica, e, portanto, não justifica o tratamento.

Nos casos de candidíase recorrente, a mulher deve ser aconselhada e orientada a realizar o teste anti-HIV, além de serem investigados os fatores predisponentes citados anteriormente.

TRATAMENTO :

- Miconazol, creme a 2%, via vaginal, 1 aplicação à noite ao deitar-se, por 7 dias; ou

-Miconazol, óvulos de 200 mg, 1 óvulo via vaginal, à noite ao deitar-se, por 3 dias; ou

-Miconazol, óvulos de 100 mg, 1 óvulo via vaginal, à noite ao deitar-se, por 7 dias; ou

- Tioconazol creme a 6,5%, ou óvulos de 300mg, aplicação única, via vaginal ao deitar-se; ou

- Isoconazol (Nitrato), creme a 1%, 1 aplicação via vaginal, à noite ao deitar-se, por 7 dias; ou

- Terconazol creme vaginal a 0,8%, 1 aplicação via vaginal, à noite ao deitar-se, por 5 dias; ou

- Clotrimazol, creme vaginal a 1%, 1 aplicação via vaginal, à noite ao deitar-se, durante 6 a 12 dias; ou

- Clotrimazol, óvulos de 500mg, aplicação única, via vaginal; ou

- Clotrimazol, óvulos de 100mg, 1 aplicação via vaginal, 2 vezes por dia, por 3 dias; ou

- Clotrimazol, óvulos de 100mg, 1 aplicação via vaginal, à noite ao deitar-se, por 7 dias; ou

- Nistatina 100.000 UI, 1 aplicação, via vaginal, à noite ao deitar-se, por 14 dias.

O tratamento sistêmico deve ser feito somente nos casos recorrentes ou de difícil controle:

- Itraconazol 200mg, VO, de 12/12h, só duas doses; ou

- Fluconazol 150mg, VO, dose unica; ou

- Cetoconazol 400mg, VO, por dia, por 5 dias.

Para alívio do prurido (se necessário): embrocação vaginal com violeta de genciana a 2%.

Gestantes :

Qualquer um dos tratamentos tópicos acima relacionados pode ser usado em gestantes; deve ser dada preferência aos medicamentos indicados para uso por um período mais prolongado, como Miconazol, Terconazol ou Clotrimazol.

Parceiros :

Não precisam ser tratados. Alguns autores recomendam o tratamento via oral de parceiros apenas para os casos recidivantes.

Observações:

Em mulheres que apresentam 4 ou mais episódios por ano, devem ser investigados outros fatores predisponentes: diabetes, imunodepressão, uso de corticóides.

Sempre orientar quanto à higiene adequada e uso de roupas que garantam boa ventilação.

Uso de Imunoterapia ( Vacinas ) nos casos crônicos é fundamental!!!

Portadora do HIV :

Pacientes infectadas pelo HIV devem ser tratadas com os esquemas acima referidos.

Prevenção da Candidíase Vaginal de Repetição:

1 ) Procure usar roupa íntima branca,de algodão ( e não apenas o forro ). Tente habituar-se a utilizá-las o mínimo possível. Retire-as ao chegar em casa e não durma com elas. Este procedimento deixará seus órgãos genitais menos abafados e com menos sudorese,diminuído a chance de crescimento de fungos e outros micro-organismos.

2 ) Não lave sua roupa íntima durante o banho,nem as pendure para secar no banheiro.Use um balde com água quente ,enxágüe-as bem,colocando 2 colheres de vinagre branco na última água. Seque-as , se possível ao sol. Passe-as a ferro.

3 ) Evite roupas justas,de material sintético,calças jeans,fuseaus e meias calças.Procure dar preferência a roupas folgadas,saias e vestidos de tecido leve.

4 ) Evite permanecer muito tempo com maiôs e biquínis molhados,bem como malhas e meias de ginástica. Evite saunas.

5 ) Evite absorventes internos e os perfumados. Evite desodorantes íntimos.

6 ) A hixiene da vulva deve ser feita com sabonete de glicerina,sem perfume,evitando atrito excessivo e buchas,para evitar pequenas escoriações que propiciam o crescimento da “ Cândica “ . Faça a limpeza sempre no sentido da vulva para o ânus , ( frente para trás ) , nunca ao contrário. Após o banho ,seque a vulva com uma toalha macia ou fralda. Não coloque a roupa íntima com a vulva ou os pelos pubianos molhados

7 ) Durante a relação sexual,evite a penetração se não houver lubrificação adequada. Muitas vezes a candidíase faz com que a vagina “ seque “ e a penetração pode produzir pequenos machucados que pioram o quadro. Se for o caso,uso o lubrificante que seu ginecologista recomendar. Após o coito,elimine o esperma de dentro da vagina,fazendo força como se fosse evacuar. A sua permanência dentro da vagina pode aumentar o número de micro-organismos. Não faça lavagens internas ou externas logo após o coito porque a água com sabonete neste momento pode causar irritação,piorando o quadro. Seque a região com papel hixiênico macio, e só lave cerca de 6 horas após.

8 )Lembre-se: a vagina ,como outros órgãos úmidos do corpo,produz secreções naturais que promovem a limpeza e sua defesa,dispensando higiene excessiva que acaba por irritar.

9 ) Procure sempre acompanhamento com um Ginecologista e um Alergologista.

terça-feira, 2 de março de 2010

Angiodermite Pigmentar



Manchas que atingem as pernas resultantes do extravasamento de sangue de pequenos vasos sanguíneos. Acomete adultos e idosos que permanecem muito tempo em pé ou sentados. As células vermelhas do sangue, que saem dos vasos, dão origem à pigmentação de cor ocre resultante. O excesso de peso e as varizes favorecem o surgimento do quadro.

As manchas atingem as pernas e tornozelos, começando bem pequenas e progressivamente confluindo para formar manchas maiores. Com a evolução, forma-se uma mancha, com formato de bota, de coloração castanha, ocre ou marrom.



A angiodemite pigmentar pode ser o estágio precursor de uma úlcera de estase, quando forma-se uma ferida de difícil cicatrização, geralmente iniciada por um pequeno traumatismo.

Tratamento :

Como medidas de prevenção, recomenda-se evitar o excesso de peso e permanecer em pé ou sentado por muito tempo. Para pessoas cujas profissões as obrigam a ficar nestas posições, é indicado o uso de meias elásticas compressivas e elevação dos membros sempre que possível. Também é recomendável adquirir o hábito de caminhar.

As manchas são permanentes, de difícil remoção. O médico dermatologista é o profissional indicado para o correto diagnóstico da angiodermite.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Manual sobre o tratamento cirúrgico da obesidade

Apresentação

Em nosso país a obesidade tem-se apresentado como uma doença de proporções assustadoras e até mesmo epidêmicas, sendo considerado um problema de saúde pública. Associados a obesidade, doenças como a hipertensão arterial, diabetes, artroses, apnéia do sono, infarto agudo, derrames cerebrais e morte súbita têm diminuído a qualidade e a expectativa de vida de milhares de brasileiros.

Até a alguns anos, a abordagem e o tratamento da maioria dos obesos eram realizados de forma isolada, sem compreensão das causas multifatoriais da doença e sem qualquer planejamento capaz de controlar, efetivamente, a obesidade e suas conseqüências.
Após o advento de uma nova frase para a cirurgia da obesidade, um horizonte ainda desconhecido surgiu para esses pacientes.

O IISSO-Instituto Interdisciplinar de Saúde do Obeso, Departamento de Cirurgia da Obesidade da Clinica Cirúrgica Trauma One, nasceu de uma visão diferenciada, proporcionada por um grupo de profissionais interessado e capacitado para realizar uma avaliação global individual do paciente obeso, ajudando-o, com segurança, a alcançar o controle dessa doença.
Sabemos que o trabalho que o trabalho de uma Equipe Especializada, composta pelo Cirurgião Bariátrico, Anestesiologista, Fisioterapeuta, Nutricionista, Psicólogo, Psiquiatra, Endoscopista, Fonoaudiólogo, Pneumologista e professor de Educação Física, em Sintonia com o Cardiologista, o Clínico ou Endocrinologista do próprio paciente, é o segredo dos nossos bons resultados.
Assim, acumulamos experiências da literatura médica, da nossa pratica médica diária e do contato constante com nossos pacientes para elaborar este manual sobre o tratamento Cirúrgico da Obesidade que organiza, de forma sintética e com uma linguagem simples e acessível, os princípios da cirurgia da obesidade, opções técnicas, seus resultados, conseqüências e as dúvidas mais comuns. Fica a certeza de que este material representa, sobremaneira, notável passo para a introdução do assunto, sem, contudo nenhuma pretensão de esgotar conhecimentos sobre a cirurgia da obesidade.

Urge, no entanto, registrar que, durante o pré-operatório, teremos oportunidades para conversar, esclarecer e trocar idéias.

Devido ao grande sucesso da primeira edição, que foi totalmente esgotada e muito bem recebida pelos nossos pacientes, estamos publicando a segunda edição, já com algumas atualizações, incluindo-se a promissora cirurgia metabólica ou cirurgia de diabetes.

Belo Horizonte, junho de 2009.
Dr.Marcelo G. Girundi.


ENTENDENDO
A OBESIDADE


A obesidade é uma doença crônica, progressiva, fatal e geneticamente relacionada.
Ela caracteriza-se pelo acúmulo de excessivo de gordura e pelo favorecimento de outras doenças, conhecidas como “co-morbidades”, listadas abaixo. Nos Estados Unidos, uma pessoa a cada quatro pesa 20% a mais que seu peso ideal. Atualmente, segundo pesquisa recente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, 51% dos brasileiros estão acima do seu peso ideal, 15- 20% são obesos e 5% são considerados obesos mórbidos.

Para avaliar o grau de obesidade de uma pessoa, desenvolveu-se o índice de massa Corporal-IMC. O seu cálculo é realizado dividindo-se o peso (em kg) pelo quadrado da altura (em metros)


Exemplo: IMC= 98 kg
_______________
1,5 m x 1,56 m IMC=40,3


Além das co – morbidades que certamente diminuem a expectativa de vida, o paciente obeso sofre com situações cotidianas, tais como:

1) amarrar os sapatos
2) comprar roupas para o seu tamanho
3) inadequação de mobiliário público(assentos de avião, teatro, cinema, ônibus)
4) dificuldades para realizar a higiene pessoal
5) problemas socioeconômicos, que são representados pela discriminação social
6) dificuldade em conseguir emprego
7) problemas de relacionamento afetivo-sexual.

CO – MORBIDADES ASSOCIADAS À OBESIDADE:

• Hipertensão Arterial;
• Doenças coronarianas que podem levar ao infarto;
• Insuficiência cardíaca;
• Diabetes;
• Apnéia do sono (parada respiratória durante o sono);
• Hiperlipidemia (elevação do colesterol e dos triglicérideos)
• Esteatose hepática (depósito de gordura no fígado, causando mal funcionamento);
• Cálculo de vesícula;
• Doenças articulares (especialmente nos joelhos e tornozelos);
• Doenças vasculares nas pernas (varizes e má circulação);
• Câncer no intestino, próstata, mama, útero e ovários;
• Alterações na menstruação;
• Incontinência urinária (perda de urina);
• Infertilidade e impotência;
• Depressão e outros transtornos.

TRATAMENTO CIRÚRGICO
DA OBESIDADE


Pelo Índice de massa Corporal (IMC) é possível graduar a obesidade e definir a melhor forma para o seu tratamento.


• Peso normal IMC = 18,5 a 24,9
• Sobrepeso IMC = 25 a 29,9
• Obesidade moderada (grau 1) IMC = 30 a 34,9
• Obesidade grave (grau 2) IMC = 35 a 39,9
• Obesidade Mórbida (grau 3) IMC = 40 a 49,9
• Superobesidade IMC = acima de 50


Pessoas com IMC até 35 podem ser tratadas apenas por métodos tradicionais (dieta, exercícios, medicamentos e mudança de hábito). No entanto, para os casos de obesidade grave com co – morbidades, mórbida e superobesidade, tais métodos isoladamente já se mostraram pouco efetivos. Nesses casos, a cirurgia é um tratamento eficaz na redução manutenção do peso. A Organização Mundial da Saúde – OMS – e o Ministério da Saúde do Brasil reconhecem a obesidade mórbida como uma doença passível de tratamento cirúrgico.

Quem está indicado para o tratamento cirúrgico:

• Pacientes com IMC acima de 40, ou
• Pacientes com IMC acima de 35 que possuem co – morbidades médicas;


Além do IMC propriamente dito, é importante o diagnóstico específico para cada paciente e a observação às demais condições restritivas:

• Pessoas que não são dependentes de drogas ou álcool;
• Pessoas que não obtiveram sucesso em tratamentos clínicos anteriores;
• Pessoas entre 15 e 65 anos de idade;
• Pessoas com capacidade de compreender e de cooperar com as mudanças do estilo de vida no pós-operatório;
• Pessoas que não são portadoras de nenhuma doença ou condição que contra- indique a cirurgia.


Além disto, toda pessoa que pretende se submeter ao tratamento cirúrgico da obesidade tem que estar ciente dos riscos e conseqüências de uma intervenção cirúrgica de tal porte. É muito importante mencionar que a cirurgia não é recomendada por motivos estéticos: é uma cirurgia radical, que pode ser definida e ter conseqüências os hábitos cotidianos. O objetivo dela é tornar a vida do paciente mais saudável e mais longa.

Seus melhores resultados estão relacionados com a participação ativa dos pacientes, evitando o consumo excessivo de alimentos hipercalóricos e aumentando o gasto energético com exercícios físicos orientados.

Sistema Digestório Humano :



1) Esôfago
2) Abdômen
3) Estômago
4) Válvula para o estômago
5) Piloro
6) Intestino delgado
7) Duodeno
8) Jejuno
9) Íleo
10) Válvula que separa o intestino delgado do grosso
11) Intestino grosso

OPÇOES CIRÚRGICAS
DISPONÍVEIS


A cirurgia da obesidade não é algo tão novo como muitos imaginam. Ainda no século passado ocorreram as primeiras cirurgias nos Estados Unidos, nos anos 50. Entretanto, as técnicas iniciais, com desvio intestinal (jejuno – íleal) provocavam conseqüências drásticas ao organismo, incluindo-se o desequilíbrio metabólico e a desnutrição grave. Foram, por isso, praticamente abandonadas com o decorrer dos anos, em nossa clínica não utilizamos esse tipo de operação e também não concordamos com cirurgias plásticas (abdominoplastia) que tem sido utilizada ao mesmo tempo da cirurgia da obesidade.

Felizmente, alguns cirurgiões e cientistas continuaram estudando e aprimorando as técnicas que hoje estão disponíveis em nosso meio e com resultados muito satisfatórios. Atualmente, existem vários tipos de cirurgia que se dividem, basicamente, em três grupos: Restritivas, Disabsortidas e Combinadas. Nossa equipe não tem predileção por nenhuma técnica; utilizamo-nos de todas as técnicas seja por via convencional ou laparoscópica. Entendemos que cada paciente deve ser avaliado individualmente, de acordo com seu perfil, gravidade da doença, hábitos nutricionais e condições sócio-psicológicas, para que possamos saber qual a cirurgia mais indicada. É necessário, entretanto, grande colaboração do paciente e grande adesão ao protocolo da clínica para que os resultados sejam compensadores. Algumas pequenas adaptações das técnicas podem melhorar os resultados em determinados casos.

A – Cirurgia Restritiva:

Banda Gástrica – Gastroplastia com Anel Ajustável – Anel Via Laparoscópica


Esta técnica consiste em construir, pela laparoscopia, um pequeno reservatório no estômago (20 a 30 ml) que se comunica com o restante do órgão, cujo esvaziamento é retardado por um anel de diâmetro ajustável.

É uma técnica menos agressiva, mas eficaz em apenas uma parcela dos pacientes, em virtude do hábito alimentar e da necessidade de colaboração integral na mudança de hábitos de vida.

O princípio da gastroplastia é a diminuição do volume do seu estômago, dividindo-o em dois compartimentos. Ele passa a ter o aspecto de uma ampulheta, com um compartimento superior e se enche e estimula o centro da saciedade no cérebro. Você tem, então, a impressão de estar com o estomago cheio e a sensação de fome desaparece.

A rapidez com que o alimento passa de um compartimento para o outro e o tamanho máximo do alimento a ser ingerido depende do diâmetro do anel. Ele pode ser regulado por um balão, conectado a um reservatório colocado sob a pele. A passagem pode assim ser alargada ou estreitada para que o primeiro compartimento se esvazie com maior ou menor rapidez. O procedimento para a calibragem do anel é feito com o auxílio de radiografias. Essa técnica pode ser totalmente reversível. A técnica da banda gástrica é normalmente realizada por laparoscopia.

Banda Gástrica
Gastroplastia com Anel ajustável
Anel via Laparoscópica




B-Cirurgias predominantemente Disabsortivas
(Derivação Biliopancreáticas) – Técnica de Scopinaro e Duodenal Switch


Nessas operações, um grande segmento do intestino delgado é excluído da passagem do alimento e cerca de metade do estômago é retirada. Dessa forma, o alimento ingerido não é absorvido. Essa cirurgia permite grande perda de peso sem alterar muito à quantidade de comida ingerida. Essa técnica, no entanto pode causar carências de ferro, vitaminas, proteínas e sais minerais, se não houver acompanhamento e reposição adequados. Acreditamos que essa técnica traga bons resultados quanto a perda de peso de pacientes superobesos e pacientes com compulsão alimentar. Efeitos colaterais como diarréia, flatulência e odor extremamente fético das fezes são comuns, tal técnica pode ser parcialmente reversível. A técnica de scopinaro pode ser realizada por via convencional ou laparoscópica.

Com a intenção de minimizar estes efeitos colaterais, alguns autores desenvolveram o duodenal Switch, uma cirurgia Disabsortiva de emprego crescente no mundo, um pouco menos agressiva que a técnica de Scopinaro. Tais técnicas podem ser parcialmente reversíveis e podem ser realizados por via convencional ou laparoscópica.

Cirurgias predominantemente Disabsortivas
(Derivação Biliopancreáticas) – técnica de Scopinaro




C – Cirurgias combinadas (Restritiva e Desabsortiva)
Bypass Gástrico – Técnica de Fobi – Capella


Há, nessa técnica, a construção de um pequeno reservatório no estomago (20 a 30 ml) com posicionamento de um anel, assim como a exclusão de um pequeno segmento intestinal. Dessa forma, podemos obter as vantagens das duas técnicas anteriores, com menores índices de complicações metabólicas (carências de vitaminas, proteínas, ferro e sais minerais) uma vez que o segmento intestinal excluído é menor. A função do seu componente restritivo é preponderante sobre o componente disabsortivo. Essa técnica foi publicada em 1990, nos Estados Unidos e é a mais bem estudada no mundo. Acreditamos que a maioria dos pacientes possa beneficiar-se muito dessa técnica.

Quando a pessoa se alimenta, o reservatório do estomago se enche rapidamente mandando um sinal ao cérebro que interpreta como saciedade. O paciente devera também aprender a mastigar muito bem o alimento e ingeri-lo lentamente, porque, em comendo rápido, com pedaços grandes, o alimento não vai passar pelo anel, provocando vômitos. Além disso, se houver abuso dos alimentos calóricos líquidos, ocorrerá mal estar, tonturas e diarréias. Esse quadro, chamado de síndrome de dumping, é decorrente da passagem rápida de alimento rico em carboidratos para o intestino. A presença dessas manifestações ajuda a inibir a ingestão desses alimentos. Essa técnica pode ser totalmente reversível. A técnica de Fobi Capella pode ser realizada por via convencional ou laparoscópica. Essa técnica por via laparoscópica esta relacionada com uma recuperação mais rápida e com cicatrizes menores. Entretanto, devido ao uso de grampeadores descartáveis endoscópicos de tecnologia mais avançada e utilização de equipamentos de videolaparoscopia de alta definição, seu custo é mais elevado.

Cirurgias Combinadas (restritiva e disabsortiva)
Bypass Gástrico- Técnica de Fobi- Capella




D - Gastrectomia Vertical ou Sleeve Gastrectomy

Inicialmente foi proposta como uma técnica de intervalo, ou seja, o primeiro tempo da operação Duodenal Switch, com o objetivo de minimizar os riscos em pacientes graves. Após um período de emagrecimento, uma nova intervenção cirúrgica era realizada, completando-se a operação. Atualmente tem sido usada como técnica isolada ou procedimento único. E uma técnica predominantemente restritiva, pois diminui o tamanho do estomago, porem existe indícios que pode ter algum efeito hormonal, por diminuir substancias produzidas no segmento do estomago retirado. Suas indicações principais são adolescentes, idosos, cirróticos, portadores de anemia crônica e em casos que o duodeno não deve ser excluído do transito alimentar. Aparentemente produz uma perda de peso menor que o baypass Gástrico e as técnicas disabsortivas, podendo ser realizado tanto por via aberta quanto videolaparoscópica. Não necessita de reposição suplementar de vitaminas no período pós-operatório. Foi, recentemente, incluída no rol de operações aprovadas pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e metabólica.



E- Balão intra- gástrico (BIB)

Alem das cirurgias descritas, nossa equipe também trabalha com uma técnica conhecida como balão intra-gástrico. Esse tratamento é temporário, podendo ser usado por, no máximo seis meses. E indicado para os pacientes superobesos que precisam perder peso no período pré-operatório ou nos pacientes que não necessitam dos métodos evasivos e definitivos. Também pode ser utilizado nos pacientes com risco cirúrgico proibitivo para a cirurgia e que necessitam perder peso. Ressaltamos, no entanto, que este tratamento deve ser utilizado, desde que associado a uma dieta supervisionada, a um programa de mudanças de hábito e à atividade física monitorada. Como esse procedimento não e uma cirurgia, o balão é colocado e retirado, por endoscopia, sob sedação. Cumpre ressaltar sobre a desnecessidade de internação. O procedimento dura, em média trinta minutos, pequena porcentagem dos pacientes, 2 a 3% apresentam intolerância persiste ao balão (náuseas e vômitos) após uma semana, obrigando-nos a sua precoce retirada. Tal técnica e totalmente reversível e passível de repetição. Após a retirada do balão o paciente pode voltar a ganhar peso, caso não mantenha as mudanças do hábito de vida.



F – Cirurgia do Diabetes

Após as operações para obesidades em pacientes diabéticos, observou que outros fatores além da perda de peso, participavam do controle de diabetes. Muitos pacientes, antes da alta hospitalar, já apresentavam controle dos níveis de glicose no sangue. Estudos recentes mostram que alterações em hormônios intestinais, provocados pelas operações, influenciavam, positivamente, o controle glicêmico. As pesquisas são promissoras e apontam para mais de 80 % de controle do diabetes tipo 2 nestes procedimentos. Cirurgias específicas e limitadas ao tratamento de diabetes. Estão em fase experimental.

Protocolo
Pré-Operatório



A - Consulta Médica com Cirurgião Bariátrico
B - Exames após a consulta:

endoscopia digestiva alta (*)
ultrasom abdominal total
radiografia do tórax
espirometria ou prova ventilatória completa (*)
avaliação pneumológica (*)
exames de sangue, fezes e urina rotina
avaliação psicológica ou psiquiátrica (*)
avaliação nutricional (*)
duplex scan vascular venoso de membros inferiores, em casos de TVP ou TEP prévios (*)
avaliação endocrinológica, se necessário (**)
avaliação do risco cirúrgico cardiológico (**)
(*) Disponíveis em nossa Clínica - Equipe Multidisciplinar
(**) Muitos pacientes já são acompanhados por estes profissionais, devido à própria obesidade ou às suas conseqüências (hipertensão arterial e diabetes). Em tal caso, o ideal é que estas avaliações sejam realizadas pelos profissionais que já tratem desses pacientes.

C - Autorização da Cirurgia junto ao Convênio
(apenas para pacientes que tenham algum convênio ou seguro saúde)

Alguns convênios exigem uma perícia médica. Em tais circunstâncias, todos os exames, até então realizados, devem ser levados para a consulta.
Cumpridas as exigências dessa etapa, marca-se, com o cirurgião, nova consulta para:

a) análise dos resultados;
b) definição sobre a data da cirurgia. Urge alertar sobre a importantíssima participação na reunião do pré-operatório (grupos de ex-obesos operados).
D - Internação: Orientação e Procedimento

A internação é feita pela manhã, no dia marcado para a cirurgia.

O paciente deve apresentar-se em jejum de 12 horas.

Utilizamos anticoagulante subcutâneo doze horas antes da cirurgia (Clexane® - 40 mg), para a prevenção de embolia pulmonar, além de um laxante intestinal no dia anterior.

É fundamental levar para o hospital uma meia elástica antiembolismo para ser usada durante a cirurgia e nos primeiros dias do pós-operatório.

Nos casos de cirurgia convencional, uma cinta abdominal de contenção também deve ser levada para o hospital. Esse item é dispensável para os casos de cirurgia laparoscópica.

Um formulário de consentimento informado deve ser assinado previamente pelo paciente.

A hospitalização dura em média três dias.

A permanência em CTI dependerá das condições clínicas do paciente e do protocolo do hospital escolhido.

É muito importante que, no período pós-operatório o paciente siga corretamente as orientações médicas.

Bypass Gástrico e Cirurgias Disabsortivas (Convencional ou Laparoscópica)

1. Administração de antitrombolítico subcutânea, durante dez dias (prevenção de trombose venosa e embolia pulmonar)
2. Uso de cinta abdominal durante sessenta dias (apenas para técnicas convencionais)
3. Utilização de bloqueadores da secreção ácida do estômago durante sessenta dias
4. Retorno semanal no primeiro mês
5. Avaliação nutricional trinta dias após a cirurgia
6. Avaliação física trinta dias após a cirurgia
7. Revisão laboratorial semestral
8. Suplementação vitamínica diária após trinta dias
9. Retorno mensal durante seis meses ( nos retornos, devem ser realizadas as pesagens para o acompanhamento correto da perda de peso)
10. Retorno bimestral até completar o primeiro ano
11. Retorno trimestral no segundo ano
12. Retorno semestral no terceiro ano

Banda Gástrica ou Gastroplastia com Anel Ajustável

1. Administração de Clexane® - 40 mg, subcutânea, durante dez dias (prevenção de trombose venosa e embolia pulmonar)
2. Utilização de bloqueadores da secreção ácida do estômago durante sessenta dias
3. Retorno semanal no primeiro mês
4. Avaliação nutricional trinta dias após a laparoscopia
5. Avaliação física quinze dias após a laparoscopia
6. Revisão laboratorial semestral
7. Retorno mensal durante um ano
8. Ajuste da banda após noventa dias, se necessário
9. Avaliação nutricional após o ajuste da banda
10. Retorno semestral no segundo e terceiro anos

Balão Intragástrico (BIB)

1. Retorno semanal no primeiro mês
2. Avaliação nutricional quinze dias após a colocação
3. Avaliação física quinze dias após a colocação
4. Uso contínuo de bloqueador ácido do estômago
5. Retorno mensal durante seis meses
6. Controle sobre a coloração da urina e das fezes
7. Retirada do balão - quatro a seis meses após sua colocação

DÚVIDAS
COMUNS


Qual é o tipo de anestesia utilizado nas cirurgias de obesidade?

A anestesia utilizada, normalmente, é uma anestesia combinada, ou seja, anestesia geral associada à anestesia peridural. A principal vantagem da associação é o fato da peridural oferecer uma analgesia prolongada, com duração de até vinte e quatro horas, tornando o período no pós-operatório mais confortável. Permite uma movimentação precoce do paciente, com todos seus benefícios. Durante o período operatório, o paciente estará anestesiado e ligado a aparelhos de alta tecnologia que, além de sofisticados, medem e controlam, com precisão, o batimento cardíaco, a pressão arterial, o eletrocardiograma contínuo e a oxigenação do sangue, assegurando um procedimento com total e inequívoca segurança.

Como é a dor do pós-operatório?

De acordo com a resposta anterior, a dor é minimizada nas primeiras vinte e quatro horas pela própria anestesia. Atualmente, podem ser usados, analgésicos muito potentes como os narcóticos e derivados da morfina, além dos habituais, de acordo com a necessidade de cada paciente. Devemos lembrar, entretanto, que a dor, como qualquer outro sentimento, é muito individual. De modo geral, ela é muito bem tolerada pela maioria dos nossos pacientes.
Quais são as incisões (cortes) mais usadas?

Cirurgia convencional: Nas cirurgias convencionais (abertas), a incisão mais utilizada é a mediana (longitudinal) supra-umbilical (acima do umbigo) com 12 a 15 cm de extensão. Uma alternativa seria o uso de uma incisão transversa supra-umbilical (arqueada) que, apesar de um pouco mais extensa, pode ser totalmente retirada na ocasião da cirurgia plástica. Nessa última situação, o paciente ficaria apenas com a cicatriz da abdominoplastia.

Cirurgia Laparoscópica (por vídeo): Nas cirurgias laparoscópicas, utilizamos cinco pequenas incisões de 5 a 12 mm de extensão. Com excelente resultado estético, as cicatrizes são praticamente imperceptíveis.

Incisões



O período pós-operatório imediato, como será?

No dia seguinte ao da cirurgia, o paciente já inicia os primeiros passos e os exercícios respiratórios. É estimulado a se movimentar e a realizar fisioterapia respiratória para prevenir as complicações respiratórias e tromboembólicas.

A primeira alimentação, normalmente, ocorre no 2º dia com uso exclusivo de líquido, em pouco volume (1/2 copinho descartável de café ou 25 ml) a cada cinco minutos. O objetivo dessa medida é não distender o novo estômago.

A alta é prevista para o 3º dia de pós-operatório, sendo diretamente dependente da evolução de cada paciente.

O período pós-operatório tardio. O que comer no primeiro mês?

Nas duas primeiras semanas, a alimentação se baseia apenas em caldos (legumes, carne magra, frango sem pele e peixe). Os caldos podem ser temperados (sal, tomate, salsinha, alho e cebola) e os ingredientes devem ser cozidos e passados na peneira ou liquidificador. É importante que seja ingerido apenas caldos, sem utilização de cereais (feijão, lentilha, ervilha, etc). A dieta é estritamente líquida e o paciente pode tomar água sem gás, sucos naturais coados, água de coco, chá com adoçante, gelatinas dietéticas.

Devem ser ingeridos, pelo menos, dois litros de líquidos por dia para evitar a desidratação, fracionados em 20ml a cada quinze minutos durante todo o dia. Isto fará com que os rins funcionem bem, deixando a urina clara.

Qualquer tipo de alimento calórico (pudim, sorvete, milk-shake, leite condensado, etc.) e bebidas gasosas são proibidos nesta fase. No primeiro mês, não poderão ser ingeridos alimentos sólidos. A alimentação evoluirá progressivamente para alimentos pastosos e depois para sólidos. É importante que o paciente não tenha pressa e siga as orientações da nutricionista.

Qual o papel do acompanhamento psicológico e psiquiátrico?

A importância do psicólogo como suporte ao paciente se deve à grande expectativa e ansiedade gerada pela realização da cirurgia que é considerada por muitos, como o último recurso após um longo período de sacrifícios decorrente das dietas, exercícios e medicamentos sem resultados concretos. O papel do psicólogo é fundamental na evolução de qualquer paciente, pois ele avaliará o grau de compreensão e participação do paciente em seu tratamento, além de estimulá-lo a falar sobre si mesmo, compreender suas motivações e a discutir, da forma mais consciente possível, tudo a respeito desse grande passo no tratamento de sua doença.

No acompanhamento pré e pós-operatório, a importância do psicólogo se reforça ainda na percepção de transtornos psicológicos que podem postergar ou mesmo contra-indicar a cirurgia além do fato de que o paciente irá encarar o desafio de modificar profundamente seus hábitos alimentares no pós-operatório e deverá ainda reconhecer, a cada dia, as mudanças em seu corpo, bem como administrar possíveis conflitos de percepção da sua nova imagem.

Qual é o papel do médico clínico e/ou cardiologista?

Ele é responsável pela avaliação das condições clínicas e cardiológicas do paciente no pré-operatório. Nesta fase, as doenças associadas são controladas e as doses de medicamentos usados são ajustadas para minimizar o risco do procedimento. Esse profissional realiza ainda a avaliação do Risco Cirúrgico e, para pacientes mais graves, realiza ainda o acompanhamento no pós-operatório imediato.

Com o emagrecimento, muitas co-morbidades (hipertensão, diabetes) melhoram ou ficam curadas, assim sendo o clínico ou cardiologista controlam a progressiva redução das doses ou a suspensão dos medicamentos usados para controle destas doenças.

A assistência da fisioterapia é necessária?

A assistência fisioterápica começa no período pré-operatório, quando, após avaliação cuidadosa, o paciente será orientado e treinará alguns exercícios respiratórios, posturais e comportamentais com o objetivo de prevenir complicações respiratórias e tromboembólicas no pós-operatório. A assistência permanecerá durante o período de internação e depende muito da cooperação do paciente.

Em alguns casos, pode ser aplicável o acompanhamento fisioterápico no período pós-operatório tardio. É desejável também que os pacientes fumantes interrompam o uso do cigarro pelo menos trinta dias antes da cirurgia.

Qual é o papel do Fonoaudiólogo?

Nas técnicas cirúrgicas restritivas, a mastigação é de fundamental importância para que o paciente se alimente bem e de forma confortável. Alguns pacientes são portadores de distúrbios mastigatórios acentuados, sendo o fonoaudiólogo o profissional que avaliará estes distúrbios e, através de técnicas avançadas, dará orientações e treinamento adequado aos pacientes.

Qual é o papel do Endoscopista?

No pré-operatório, a endoscopia é realizada para diagnóstico de alterações que contra-indiquem ou impeçam o procedimento cirúrgico ou imponham um tratamento prévio. No pós-operatório, a endoscopia é utilizada para avaliação de sintomas e do próprio procedimento realizado, além de, eventualmente, atender a procedimentos terapêuticos. Ela é também utilizada para colocação e retirada do Balão Intragástrico (BIB)

Qual é o papel do Professor de Educação Física?

A atividade física orientada no período pós-operatório é muito importante para melhorar a perda de peso, substituir a massa gorda (gorduras) por massa magra (musculatura), corrigir os vícios posturais e promover as definições corporais.
O papel do profissional de educação física é prescrever o melhor exercício para cada caso, estipular metas de melhoria da condição física, além de definir os limites individuais da atividade física, otimizando os resultados do procedimento para o paciente.

Qual a importância da assistência nutricional?

A nutricionista analisa a condição alimentar e nutricional do paciente, orientado-o na mastigação correta, na escolha de alimentos adequados e na dieta, durante os primeiros meses do período pós-operatório, além de corrigir algumas transgressões que possam ocorrer e ainda avaliar a adaptação do paciente ao método cirúrgico e opinar sobre a técnica cirúrgica a ser utilizada. Sua participação é essencial para que a perda de peso ocorra de maneira eficaz e saudável, independentemente da técnica cirúrgica adotada.

Qual é o papel do endocrinologista?

Raramente, alterações endocrinológicas são responsáveis pela obesidade. Na maioria dos casos, a própria obesidade agrava ou é a causa de doenças como o diabetes. O endocrinologista é importante para detectar e tratar esses problemas, confirmar a falência do tratamento clínico e opinar em relação à técnica cirúrgica mais adequada. Ele também é responsável pelo controle clínico e metabólico no período pós-operatório, a curto, médio e longo prazos. Com o emagrecimento, doenças endócrinas, como o diabetes e algumas doenças da tireóide tendem a melhorar. A redução ou suspensão dos medicamentos para controle dessas doenças são realizadas por este profissional.

Quando deve ser procurado o cirurgião plástico?

O cirurgião plástico tem papel fundamental no pós-operatório tardio e normalmente atua dezoito a vinte e quatro meses após a cirurgia bariátrica. Tem como função principal reconstruir e reparar os excessos de pele decorrentes do emagrecimento, proporcionando melhoria estética e aumento da auto-estima.

Qual é o tempo necessário para retornar às atividades habituais?

Usualmente, nas cirurgias laparoscópicas, em uma semana o paciente pode retornar ao trabalho, à escola, dirigir veículos automotores e ter relações sexuais. Nas cirurgias convencionais, o período para realizar tais atividades é de duas semanas..

Será necessário o uso de vitaminas pelo resto da vida?

É necessária a suplementação de vitaminas com o objetivo de evitar as carências de substâncias como o ferro, cálcio, vitamina B12 e ácido fólico, minimizando suas conseqüências. A dose e o tipo de polivitamínico é determinado pelo médico, através do controle periódico quando são realizados exames de sangue com medição desses componentes. Esse controle médico é fundamental e deve ser um hábito para o paciente por toda sua vida.

Como será o emagrecimento?

Normalmente, os pacientes emagrecem de 30 a 50% de seu peso inicial, ou seja, cerca de 70 a 80% do seu excesso de peso. O emagrecimento é maior nos primeiros meses e cai, progressivamente, até se estabilizar ao final de 18 a 24 meses após a cirurgia.

É possível engravidar após a operação?

Perfeitamente. Entretanto, é importante ressaltar que a gravidez, durante o primeiro ano de pós-operatório, é contra-indicada. Nesse período, há riscos de abortamento, parto prematuro e desnutrição da mãe e do feto, motivo pelo qual são recomendados métodos contraceptivos eficazes nesta fase. Após a estabilização do peso, a paciente poderá engravidar e ter o devido acompanhamento pré-natal e endocrinológico periódico.

Existem riscos na cirurgia?

Toda cirurgia implica um determinado risco. É por isso que fazemos uma ampla avaliação pré-operatória para que eles sejam minimizados. Devido às características da doença obesidade, podem acontecer complicações clínicas e cirúrgicas graves: a embolia pulmonar (quando um coágulo formado nas pernas se aloja nos pulmões) e as fístulas digestivas (vazamentos de secreções digestivas nas emendas do estômago e intestino). A mortalidade relatada na literatura médica está em torno de 0,5 - 1%.

Qual o papel da Equipe Multidisciplinar do IISO – Instituto de Saúde do Obeso?

No IISO-Instituto Interdisciplinar de Saúde do Obeso, disponibilizamos uma equipe multidisciplinar composta por cirurgiões bariátricos, psicólogo, psiquiatra, fonoaudiólogo, nutricionistas, fisioterapeuta, pneumologista e educador físico.

Todos estes profissionais são altamente especializados e promovem o preparo e condução terapêutica da obesidade mórbida, com segurança. Como a obesidade é uma doença complexa e multifatorial, o trabalho em equipe, coordenado pelo Cirurgião Bariátrico possibilita melhores resultados.

Antes da decisão pela cirurgia, nosso paciente é avaliado em todos os aspectos citados para que tenha tranqüilidade e segurança em todo o processo: antes, durante e depois da realização da cirurgia. A ação conjunta de profissionais especializados assegura que todos os aspectos relevantes possam ser avaliados individualmente, sob o foco de cada área, e, conjuntamente, na interface de diversos segmentos que tratam um mesmo paciente.

Trauma One

Avenida Barbacena, 1018. 3° Andar
Santo Agostinho. CEP 30190-131
Belo Horizonte – MG
Tel. (31) 3292- 5929. (31) 3275-2129

EMAIL: trauma1@uol.com.br
www.traumaone.com.br

Agradecimento ao Dr. Marcelo G . Girundi

Cirurgião Geral e Bariátrico
Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões
Titular da Sociedade Brasileira de Videocirurgia
Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica
Membro da IFSO - International Federation For Surgery Of Obesity
Presidente da Sociedade Mineira de Cirurgia Geral
Vice - Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica

Gordura abdominal eleva risco de asma em mulheres



Mulheres com muita gordura abdominal têm mais risco de ter asma, mesmo que não estejam acima do peso. É o que mostra um novo estudo publicado na revista "Thorax". A pesquisa foi realizada com 88.304 voluntárias nos EUA.

Entre aquelas com IMC (índice de massa corporal) normal (até 24,9 kg/m2), as que tinham a medida da cintura maior do que 88 cm tiveram três vezes mais chance de ter a doença.

A pesquisa também confirmou que a asma é mais frequente em pessoas com sobrepeso e obesas. Quanto maior o peso, maior o risco de asma. A prevalência de asma em mulheres com obesidade leve foi de 10,9%, nas com obesidade moderada, de 13,4%, e nas com obesidade grave, de 18,3%.

"Sabe-se que a obesidade é um fator de risco para a asma, mas poucos estudos avaliaram os efeitos da gordura visceral sobre o problema", escreveram os autores do trabalho.

A coordenadora, Julie von Behren, disse à Folha que a gordura visceral é metabolicamente diferente de outros tipos de gordura e pode ter efeitos mais profundos sobre a saúde. "Trata-se de uma gordura metabolicamente mais ativa, que pode produzir compostos que causam inflamação. E a inflamação pode estar relacionada à asma", afirma.

O pneumologista Roberto Stirbulov, presidente eleito da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, lembra que a asma é uma doença inflamatória, que pode surgir ou piorar com as substâncias pró-inflamatórias produzidas pela gordura abdominal.



A maioria das pesquisas aponta que a ligação entre obesidade e asma é mais forte entre mulheres. Um estudo feito com 3.000 adolescentes brasileiros, por exemplo, mostrou que a doença é uma vez e meia mais prevalente em meninas acima do peso do que nas com peso normal ou desnutridas. Com os meninos, essa relação não foi encontrada. O estudo será publicado no mês que vem na revista "Journal of Asthma".

A razão para a diferença entre gêneros deve ser hormonal, mas ainda não está bem estabelecida, segundo o alergista e imunologista Fábio Kuschnir, presidente da Asbai (Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia) - regional Rio de Janeiro, autor do trabalho.

Um fato que reforça a relação entre asma e sobrepeso é que pacientes obesos que fazem cirurgia de redução do estômago acabam também melhorando da asma. "A redução de peso pode melhorar a função pulmonar", afirma Kuschnir.

Carcaça de gordura

Outra hipótese é que a obesidade pode levar a uma redução da função do pulmão pelo fato de o órgão ficar envolto por uma carcaça de gordura, o que faz com que ele não se expanda completamente. Com isso, a pessoa passa a ter uma respiração mais rápida e curta, o que gera mudanças na musculatura dos brônquios e sobrecarrega o pulmão, predispondo à asma.

Segundo Kuschnir, o assunto começou a vir à tona quando se notou que, à medida que se instalava uma epidemia de obesidade no mundo, os índices de asma também cresciam. Além disso, os médicos notavam que os pacientes com asma muitas vezes estão acima do peso.

Fátima Emerson, alergista da Policlínica Geral do Rio de Janeiro, conta que os especialistas costumavam creditar a relação ao fato de os obesos se exercitarem menos -o exercício melhora a função pulmonar. Outra hipótese era a de que o uso de corticoides levasse ao ganho de peso. Ela lembra que a asma é uma doença genética e que, para manifestá-la, os obesos devem ter predisposição.

Concluindo,sabemos que uma reeducação alimentar e atividades físicas diárias diminuem o acúmulo de gordura,melhorando a qualidade de vida. Por isso devemos sempre procurar medidas para diminuir a obesidade,independente de sexo,raça ou cor , não somente pelo fator estético mas principalmente para evitar complicações como hipertenção,diabetes,esteatose hepática,infarto agudo do miocárdio,acidente vascular cerebral,insuficiência respiratória,etc...
Devemos contar sempre com profissionais experientes para avaliação do seu grau de obesidade e escolha do melhor método terapêutico.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Lenda dos Médicos



Lenda dos Médicos

Conta a lenda que quando Deus liberou para os homens CONHECIMENTO MÉDICO, determinou que aquele saber, ficaria restrito a um grupo pequeno e selecionado.
Mas neste pequeno grupo, onde todos se achavam semi- deuses, havia aquele que trairia as determinações divinas. Deus, bravo com a traição, resolveu fazer valer os seguintes mandamentos:

1- Não terás vida pessoal, familiar ou sentimental.
2- Não verás o teu filho crescer
3- Não terás feriado, finais de semana ou qualquer outro dia de folga.
4- Terás gastrite, se tiveres sorte, se for como os demais, terás úlcera.
5- A pressa será seu único amigo, e as tuas refeições principais serão os lanches, as pizzas e o china in box
6-Os teus cabelos ficarão brancos antes do tempo, isso se te sobrarem cabelos.
7- Tua sanidade mental será posta em cheque antes que complete 5 anos de trabalho.
8- Dormir será considerado período de folga, logo não dormirás.
9- Trabalho será teu assunto preferido, talvez o único.
10- A máquina de café será tua melhor colega de trabalho, porém a cafeína não te fará mais efeito.
11- Happy hours serão excelentes oportunidades de ter algum tipo de contato com outras pessoas loucas como você.
12- Terás sonhos com clientes, e não raro, resolverás problemas de trabalho nesse período de sono.
13- Exibirás olheiras como troféu de guerra.
14- E o pior...

inexplicavelmente GOSTARÁS DE TUDO ISSO!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Urticárias Físicas


As urticárias físicas constituem um subgrupo de urticárias crônicas, induzidas por estímulos físicos: frio, calor, pressão, vibração, luz solar, água, exercício, e aumento da temperatura corporal. São mais freqüentes no adulto jovem, e constituem 17% do total de urticárias crônicas. Geralmente as lesões urticariformes são restritas ao local estimulado, porém podem ser difusas. Podem ser adquiridas ou familiares, e exibir associações ou hibridismo atípico. Os estímulos físicos podem induzir a liberação de mediadores após ativação dos mastócitos. A estimulação pode ser direta ou indireta (imunológica). Algumas formas de urticárias físicas podem ser transferidas passivamente (IgE). Procuramos atualizar os conceitos diagnósticos e terapêuticos das urticárias físicas.

Dermatografismo sintomático

Ocorre em 2 a 5% da população geral. O fator precipitante é o trauma cutâneo direto, demonstrado pela aplicação de 3.600g/cm2 de pressão com um dermografômetro. Na prática clínica utilizam-se objetos contundentes. O dermatografismo surge em dois a cinco minutos, e pode durar até três horas. Os sintomas urticariformes são localizados, não ocorrendo manifestações sistêmicas. Em alguns pacientes detectou-se um fator sérico de transferência (provavelmente IgE), e elevação da histamina plasmática. O tratamento consiste na administração de antagonistas anti-H1 associados ou não a antagonistas anti-H2. Foi descrita uma forma rara tardia (três a oito horas após a estimulação, durando 24 a 48 horas).

Urticária colinérgica

Constitui 5 a 7% do total das urticárias. É mais freqüente nos adolescentes e nos adultos jovens. Apresenta urticária com pápulas pequenas (2 a 4mm), presentes em áreas de eritema difuso. Estas lesões predominam no tronco superior e nos braços. Podem ocorrer: manifestações sistêmicas, confluência urticariforme, angioedema, hipotensão, broncoespasmo, e queixas gastrointestinais. O fator precipitante induz a elevação da temperatura corporal. A urticária surge em dois a 30 minutos, e dura de 20 a 90 minutos. A anafilaxia pode estabelecer-se subseqüentemente. Há liberação de mediadores pelos mastócitos (histamina, fatores de quimiotaxia dos eosinófilos e dos neutrófilos). Acredita-se que ocorra uma descarga colinérgica eferente após o estímulo físico provocador.

Os sintomas da urticária colinérgica podem ser reproduzidos pelo aquecimento corporal, exercício, banhos quentes, febre, e reações de ansiedade com calor e perspiração. Postula-se que existam nestes pacientes mecanismos efetores colinérgicos termorreguladores, capazes de induzir a desgranulação mastocitária cutânea. A elevação da temperatura corporal não precisa obrigatoriamente estar associada ao exercício, ela pode ocorrer passivamente. Os ataques podem ser interrompidos pelo esfriamento do paciente (banhos frios).

Podem existir períodos refratários e tolerância, após episódios severos e/ou repetitivos.

Os testes diagnósticos incluem a elevação corporal entre 0,7° e 1°C, através de exercícios ou banhos quentes. Aproximadamente metade dos pacientes exibe positividade ao teste cutâneo com Mecolil (injeção de 0,01 mg de cloreto de metacolina por via intradérmica, e o aparecimento de pápula urticariforme central, associada a outras menores e satélites).

O tratamento consiste em evitar a provocação exógena de aquecimento, no esfriamento corporal, na indução de tolerância (quando possível), e no uso de antagonistas anti-H1, principalmente o anti-histamínico hidroxizina. Em casos refratários à terapêutica convencional, pode-se empregar com êxito o cetotifeno.


Anafilaxia induzida por exercício

É rara. O fator precipitante é o exercício, ocasionalmente associado à ingestão de alimentos. Pode existir uma tendência, familiar. Nos indivíduos em que surge com o exercícico pós-prandial, os alimentos mais comumente envolvidos são: o aipo, os crustáceos (principalmente o camarão) e o trigo. Ela surge em cinco a 30 minutos e pode durar de uma a três horas. O quadro clínico coniste em anafilaxia, podendo acompanhar-se de urticária e angioedema generalizados.

Acredita-se que, nos pacientes suceptíveis, ocorra a liberação de um fator indutor da desgranulação mastocitária. Não há resposta ao aquecimento passivo. Pode ocorrer elevação da histamina plasmática. O teste diagnóstico consiste em "jogging" por 30 minutos. A terapêutica abrange evitar exercícios, e nos casos pós-prandiais a abstinência alimentar por quatro a seis horas antes do exercício, a utilização de antagonistas anti-H1, e o uso de epinefrina (nos EUA é freqüente o emprego de EPIPEN auto-injetor).

Síndromes de urticária a frio

As síndromes de urticária a frio podem ser classificadas em adquiridas (primárias, secundárias e atípicas) e familiares (inflamatórias e tardias). O teste de estimulação com o frio (urticária cinco a 10 minutos após a aplicação de um estímulo a 0°C) é positivo nas primárias e secundárias, e negativo nas atípicas e familiares. As urticárias a frio secundárias incluem: crioglobulinemia, leucemia linfocítica crônica linfossarcoma, vasculites leucocitoclásticas, mononucleose infecciosa, sífilis, sarampo, infestações parasitárias, afecções acompanhadas de crioaglutininas e hemolisinas, criofibrinogenemia, doenças do colágeno, reações medicamentosas (griseofulvina, e contraceptivos orais), e picadas de insetos. As urticárias a frio atípicas incluem: urticárias a frio localizadas ou sistêmicas com os testes de estimulação com o frio negativos, urticária colinérgica a frio, dermatografismo a frio, urticária a frio tardia, e urticária a frio reflexa. As urticárias a frio familiares apresentam hereditariedade autossômica dominante, e podem ser tardias.

As urticárias familiares a frio são raras. O fator precipitante é a exposição ao ar frio. Surge em meia a três horas, sendo que as formas tardias em nove a 18 horas. Duram cerca de um a dois dias. Há uma sensação de queimação cutânea nas áreas acometidas, além de estarem presentes com freqüência: cefaléias, artralgias, febre, mialgias, calafrios, e leucocitose. Não se obteve transferência passiva. A etiologia é desconhecida. Comportam-se como vasculites. As biópsias cutâneas revelam infiltrados inflamatórios com leucócitos polimorfonucleares (forma imediata) e células mononucleares (forma tardia), ambas com edema. Os testes estimulatórios com o frio (cubo de gelo no antebraço e imersão das mãos em água gelada) são negativos. O teste diagnóstico consiste em expor o paciente ao ar frio por 20 a 30 minutos. A terapêutica consiste em evitar a exposição ao frio. O tratamento com antagonistas anti-H1 apresenta resultados precários.

As urticárias a frio essenciais (adquiridas) compreendem um a 3% de todas as formas de urticária. Os fatores precipitantes incluem o contato direto com o frio e/ou superfícies frias. Surgem em dois a cinco minutos. As formas mais severas, geralmente, são mais precoces. Duram uma a duas horas. Melhoram com o aquecimento. Além da urticária pode ocorrer o angioedema perioral (língua e lábios), após o contato direto com bebidas geladas. Acompanham-se freqüentemente de síncope e de outras manifestações anafiláticas. Após a provocação a frio detectou-se a elevação sangüínea de mediadores dos mastócitos. Em alguns pacientes demonstrou-se um fator de transferência (IgE). Pode ocorrer remissão espontânea. Os testes diagnósticos incluem a imersão das mãos em água a 10°C por cinco minutos, e a aplicação de um cubo de gelo, envolvido em plástico, na pele do antebraço por cinco minutos, e o aparecimento de urticária localizada. A terapêutica compreende: evitar a exposição ao frio, ciproheptadina e outros antagonistas anti-H1, doxepina (anti-H1 e anti-H2), e quando possível a indução de tolerância. Convém salientar a existência de uma forma peculiar de dermatografismo a frio, que só ocorre em pele esfriada.

Em 1981, foi descrita uma nova modalidade de urticária física a frio: a urticária colinérgica a frio. Descrevemos o primeiro caso brasileiro. Consiste na coexistência da urticária a frio com a urticária colinérgica, num mesmo paciente. Os fatores precipitantes são decorrentes da exposição ao frio, o teste intradérmico com Mecolil pode ser positivo, os testes cutâneos estimulatórios do frio são negativos, as lesões urticariformes são semelhantes às da urticária colinérgica, porém não há associação com a elevação da temperatura corporal. O exercício só é indutor da urticária se for realizado em ambiefte frio. Pode ocorrer elevação da histamina plasmática. Há boa resposta terapêutica com a associação da ciproheptadina com a hidroxizina.

Urticária localizada por calor

Muita rara. O fator precipitante é o contato quente (calor). Surge em três a cinco minutos e pode durar uma hora. Além dos sintomas locais urticariformes podem estar presentes: cefaléia, tonteira, cólica abdominal, broncoespasmo, e síncope. Não é transferida passivamente. Diagnostica-se este tipo de urticária aplicando-se um cilindro aquecido (50 a 55°C) na pele por cinco minutos. É possível a indução de tolerância. Trata-se de uma erupção urticariforme localizada, induzida pela aplicação cutânea de calor, com ou sem manifestações sistêmicas. O mecanismo etiopatogênico é desconhecido. Não há tratamento medicamentoso satisfatório

Urticária aquagênica

É muito rara. O fator precipitante é a água, em qualquer temperatura. Surge em dois a 30 minutos, e dura de 30 a 60 minutos. A indução aquagênica ocorre por contato. Não há manifestações sistêmicas. Pode ocorrer elevação da histamina plasmática. O teste diagnóstico consiste em comprimir a pele com água a 35°C por 30 minutos. A terapêutica inclui o uso de óleos e anti-histamínicos anti-H1 (hidroxizina terfenadina).

Urticária e angioedema por pressão (tardios)

Ocorre em menos de 1% do total de urticárias. O fator precipitante é a pressão. Surge em três a 12 horas, e dura de oito a 24 horas. Há urticária dolorosa. Podem ocorrer astenia e leucocitose. São fatores indutores: a caminhada, o bater de palmas, o sentar prolongado, o emprego de ferramentas manuais, e o uso de cintos e elásticos no vestuário. As lesões cutâneas surgem tardiamente. O teste diagnóstico consiste em aplicar um peso de 7kg por 20 minutos, e observar a pele por quatro a oito horas. Pode haver resposta terapêutica a antagonista anti-H1, corticosteróides, e antiinflamatórios não-esteróides.

Urticária solar

Ocorre em menos de 1% de todas as urticárias. A luz solar é o fator precipitante espectro entre 280 a 320nm e entre 400 a 500nm). Pode haver um fator de transferência. A histamina plasmática pode elevar-se. Surge em um a 30 minutos e pode durar de 15 minutos a três horas. Ocasionalmente está acompanhada de "rash" morbiliforme e de anafilaxia. O teste diagnóstico consiste em expor a pele ao espectro da luz solar suspeito. Pode persistir por anos, e geralmente os pacientes são saudáveis. Raramente pode estar associada ao lúpus eritematoso e a protoporfiria eritropoiética. É mais comum na quarta e quinta décadas da vida. Em 20 a 30% dos casos ocorre remissão espontânea. A administração de anti-histamínicos anti-H1 (hidroxizina), aproximadamente uma hora antes da exposição, é benéfica. Os pacientes devem evitar exposição à luz solar, e utilizar protetores solares (ácido para-aminobenzóico). Outras modalidades terapêuticas incluem os antimaláricos e o beta-caroteno.

Angioedema vibratório

É raro. O fator precipitante é a vibração, precipitado, entre outros, por andar de motocicleta, moer a grama, e esfregar-se com toalhas vibratórias. Surge em um a cinco minutos e pode durar até 24 horas. Há o aparecimento de angioedema proporcional ao estímulo. Ocasionalmente ocorre cefaléia associada. É autossômica dominante. A histamina plasmática pode elevar-se. O teste diagnóstico consiste na vibração do antebraço com vórtex por cinco minutos, havendo um aumento na circunferência do braço. Os mecanismos patogênicos são desconhecidos. A terapêutica inclui: evitar a vibração, agentes anti-H1 (resposta variável), e quando possível a indução de tolerância.

CONCLUSÕES

As urticárias físicas são dermatoses com disfunção mastocitária, caracterizadas pela diminuição do limiar para a degranulação citoplasmática de mediadores, após estimulação por fatores de natureza física. Esses indutores ambientais incluem variações térmicas (calor e frio), trauma cutâneo, pressão, vibração, luz solar, exposição à água e exercícios. Essas dermatoses podem ser clássicas ou atípicas, adquiridas ou familiares. Cerca de 20% dos pacientes portadores de urticárias crônicas apresentam urticárias desencadeadas por agentes físicos.

O tratamento consiste em evitar a exposição aos fatores precipitantes e farmacoterapia sintomática com antihistamínicos acompanhados, em determinadas situações, de medicações antiinflamatórias. A tolerância aos agentes físicos é ocasionalmente induzida. As urticárias físicas podem estar associadas à anafilaxia. Requerem, portanto, atenção médica contínua e especializada.


Autoria

DR.MÁRIO GELLER

Presidente da Seção Brasileira do American College of Allergy, Asthma and Immunology Public Relations Network. Governador da Região Brasil do American College of Physicians-American Society of Internal Medicine.